Inconstante


Tristeza. Essa palavra não combina comigo, pelo menos agora. Às vezes é melhor ficar de longe e apenas observar, pois alguns caminhos podem não ter volta. Até bem pouco tempo atrás eu poderia pensar diferente, mas hoje eu aprendi a sorrir melhor e olhar as relevancias da vida com mais naturalidade. Não sou mais de contemplar as estrelas que estão distantes de mim. Por outro lado, aprendi que a paciência pode ser um aliado bem interessante. Aprendi também que não só as palavras condenam, mas as atitudes são bem mais injustificáveis.
Nem sempre podemos participar efetivamente na vida de outrem. As vezes chegamos perto. Nos aproximamos, e por muitas vezes até perto demais. Outrora nada disso me fazia sentido, e hoje entendo plenamente os segredos e armadilhas do acaso. Não faço apologias aos erros, mas se não por culpa de alguns erros, não aprenderiamos de fato. Disseram que o sol nasce pra todos, mas são nas noites que encontro conforto e refúgio para poder seguir sem medo no dia que se segue.
Atalhos aparecem e desabam. As flores na janela indicam uma festividade religiosa. Minhas estrelas já não passeam como antes, e mesmo assim não deixam de ser o que são. Agora fico sem saber se são as coisas que fogem ou se sou eu que as deixo partir. Ontem uma inspiração do passado, um dos "S" do meu plural apareceu de repente e querendo ocupar o lugar de um dos "Se" que há em mim e que tanto me inspira desde então. Sinto as sombras de alguns olhares esquios e traicoeiros, mas sigo firme diante da inconstante que me cansa e que tanto me fascina. Até aqui eu pude caminhar sozinho esquecendo o auge do meu egoísmo inexistente e suave. Sei que os dias não perdoam, mas entre fantasias, sonhos e realidade, prefiro me perder nesses caminhos sinuosos que formam as correntes dos teus braços.
Passado e presente agora se misturam e caminham junto a um futuro incerto e imperfeito.

Ricardo Lima

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