Espero que exista outras vidas

Eu amo a Lua no céu
E você aqui na Terra.
Eu amo parte do mar
E um pouquinho da floresta.
Não sei quem amo em Marte, Júpter ou Saturno,
Mas sei que aqui na Terra
Fica tudo mais escuro
Quando não estás.
           [- Porque... não estas?
Quando não me ouve
           [ - Porque... não me ouves?
E nesses pensamentos
A noite segue sem fim
           [ - Mas quero um fim
E peço o fim.
           [ - Vida após vida
Espero que exista outra;
Nossa vida.
Sem desencontros
Ou despedidas.

- Marcello Tea

04h e 47m

    Os sonhos ainda estão bem vivos na memória. A noite aparece bem menos e a sensação de que ela passou a galopes de um cavalo mestiço é bem estranha para quem ainda pensa nos sonhos. Uma xícara de café; um batom róseo colorindo a borda da xícara; páginas sofridas de um romance onde os personagens não se tocam...
    Falta amor e sobra sonhos nesse momento do dia. Pela janela, vejo que o sol já começa tingir as nuvens de um vermelho alaranjado bem discreto. Já passam das cinco da manhã, e os sonhos continuam vivos. Mesmo não sendo possíveis, ainda perco o meu tempo assistindo TV.
    Não quero ter que escolher, não tolero o poder da escolha. Prefiro o acontecer, e aconteça o que for, vou estar sempre aqui. Das quatro as cinco da manhã, ainda penso nos sonhos, e ainda acordado, sonho profundamente...

Ricardo Lima
Sociedade dos Poetas Vivos

TEU MUNDO LILÁS

Se lembra quando eu disse
que iria te ajudar?
Pegaria todas as cores
P'ra tua vida pintar.

Te mostraria os tons
Da felicidade e do amor.
E sua vida nunca mais
Seria pintada de dor.

Mas só depende de você!
O sentimento que sinto
                         e insisto
Deixar renacer.

Não sei se hoje teu mundo continua lilás,
mas se me der uma chance
prometo te trazer paz
e te fazer esquecer
que o teu mundo, um dia, foi lilás.

- Marcello Tea

Quem fica..

Para quem vai um até breve, boa sorte, seja feliz e uma tanto de outras coisas boas trazem imenso prazer e uma euforia uma explosão de sentimentos incriveis até para aquele fim de namoro de longa data onde o sentimento existiu mas por algum motivo chegou ao fim sempre vem aquela sensação de liberdade e o medo do novo. Do inicio de algo novo, novas experiências, sentimentos e pensamentos. Para quem vai, vai descobrindo um mundo novo, sentimentos novos e vai deixando o velho para tras, vai tomando posições e se descobrindo novamente. Quem vai sempre arranca algo e deixa algum pedaçinho de tristeza por onde passa, e coloca esse pedacinho em outro alguém, outro lugar ou outro ser. Quem vai começa a estar feliz no momento que vai por mais triste que tenha sido a despedida. Porque quem vai, está vivendo cada segundo de um todo da alegria que é descobrir o novo. E quem vai, vai sem pensar, não enxerga nada que esteja atras, quem vai já foi e começou o novo..
Para quem fica um até breve significa o longo tempo ou até nunca mais. Para quem fica, fica a rotina diaria os mesmos dias tediosos e a falta de alguém que foi e foi levando um pedacinho que deixou de construir mais um pouco ali. Para quem fica, fica a felicidade a saudade e um tanto de sentimentos se misturando e confundindo quem ficou. Quem fica, fica com marcas fixas de quem foi levando tudo que que deixou. O novo parece mais um fim, não há novidade a não ser a tristeza ou a saudade que ficou.
Os dias parecem sem cor, a rotina parece dobrada, quem foi parece ter levado tudo, até mesmo as lembranças que eu gostava. Quem fica, fica com a cobrança o desespero do que estou fazendo com a minha vida, da ansiedade de querer ser quem vai porque por mais duro que seja, quem vai sempre sabe lhe dar melhor, porque o ficar é a sensação de estacionar. Aquele meu velho amor que foi, foi e levou tudo que foi bom e quem ficou, ficou sofrendo, ficou as pergunta no ar.Quem fica, 1 mês é muito, 2 meses demais do 3 em diante nem conto mais. Pra quem fica a ânsia pela alegria no novo existe todos os dias, a imaginação não circula bem, mas a gente aprende a lhe dar. Falar com quem? Para quem fica, fica a buscar porque quer viver tanto quanto quem vai..

Natasha Funger

Ainda Penso em Você

   Ainda penso em você. Penso nas noites mal dormidas ao teu lado, no teu coração batendo tão depressa quanto o meu. Lembro da tua pele deslizando sobre a minha e da tua voz falando baixinho, e dizendo que me ama.
   Lembro das mentiras, dos sorrisos, que às vezes mesmo sem graça eu sempre te beijava, e depois  você olhava pra mim, e dizia que nunca ia acordar desse sonho. Foi aí que tempo passou, e com ele levou a toda aquela magia do encanto. O teu olhar escureceu de tal forma, que eu não mais consegui me ver. O teu sorriso desbotou tanto, que eu não mais te beijava com fervor.
   Não sei o que de repente mudou. Não entendi o porque de tanto amor esfriar assim. Mas de fato aconteceu, e eu me machuquei tanto quanto você. Ainda penso em ti, penso tanto que ainda sinto o teu calor sobre a minha pele. Eu sei que tu pensas em mim, eu sei que tu ainda choras no banheiro sentindo a minha falta.
   Venha me procurar minha linda flor. Ainda estou aqui, ainda tenho o mesmo amor guardado em mim.

Ricardo Lima
                                                                 
                                                               Perdendo o medo de ser feliz
                                                                   

    Ontem de folga, estava bem deitado na minha cama box no meu quarto super climatizado, relaxando, e fiquei olhando por um pequeno orifício que tem na minha janela de vidro, ocasionado este por certas pedras que foram jogadas, apesar de tá sendo desperdiçado ar fresco. E este pequeno orifício, tinha acesso as nuvens, que abrilhantavam ainda mais o céu azulado. 

     E com isso passei a pensar em várias coisas da vida, era como se tivesse falando com as nuvens, e as mesmas falando comigo. Sendo que um dos fatos mim chamaram bastante atenção, do qual recebi muitos conselhos, sugestões etc. Como por exemplo, o medo de ser feliz. Fato este, que vejo como uma das principais causas da depressão. Onde as pessoas que apresentam isso, experiências comprovadas, vivem sempre pensando no que os outros vão dizer, pensar,enfim. Além do mais, passam a viver para os outros do quê para si. Originando um total isolamento do meio social, adaptações de costumes de ser primitivo, e o pior, o tal dos pensamentos negativos que passam a girar. Apresentando uma total insegurança e sem ânimo para viver.

    Nessa conversa entre eu e a minha amiga a longas léguas ( as nuvens ), coisa que nunca imaginei conversar e muito menos ter uma amiga que mora no espaço, e ainda mais receber conselhos. Desde de então passei a vê - la com outra finalidade muito importante e essencial, nesta era contemporânea.

     A minha amiga de longas distância, finaliza deixando um recado. Que para perder o medo de ser feliz, que a própria relata que é coisa da nossa cabeça, que na vida temos que ser sem vergonha, agir e pensar de forma sem vergonha. Porque assim perderemos o medo de ser feliz.

     

Velha infância e o medo ..

Hoje por vários segundos acompanhei meus pensamentos e senti aperto no peito..      
 Quando eu era mais nova costumava mecher no meu cabelo enrolando sobre meus dedos para aliviar a falta que eu sentia da minha chupeta, era a forma que eu achava que diminuia ou substituia a falta dela. E por alguna anos depois na minha adolescência quando eu sentia muita falta de um namoradinho eu costumava arrumar outro namoradinho para que a saudade diminuisse ou encobrisse e funcionava, o encanto de estar conhecendo alguém da novidade com as amigas era incrivel tudo, muito excitante. Adorava ir para casa das minhas amigas e ficar falando sobre garotos, escola, e como nossos pais as vezes eram terriveis ao nos proibir tudo. Tudo era novidade, o sexo era novidade, os nomes eram novidade. E hoje sinto que tudo continua sendo uma novidade mas já não é tão excitante. Lembro que meu coração ao estar com o carinha que eu gostava palpitava meus pelos arrepiava e o fervor notavel em meu corpo havia. E hoje? Eu não gosto o suficiente ou meu corpo reage de outra forma? Diria bem, eu cresci, substituir a saudade? Não adianta, enrolar meus cabelos? Não adianta.
Como tanta novidade junta nada tras alguma excitação.
 Eu só queria relembrar de velhos tempos e sentir qualquer coisa diferente do que tudo me tras. Sentir aquela sensação de frio na barriga e o perigo, o medo correr sobre mim e a cada momento pensar, sentir meus pelos se arrepiarem ou fechar os olhos e entrar em êxtase.
Talvez o amadurecimento venha com essas perdas, a falta de sensibilidade com tudo ou a preocupação de tudo. Só as vezes, preciso de uma nova afirmação de que estou vivendo porque o buraco aberto em mim tem me sugado como se não estivesse. Eu preciso me sentir viva, drogas não adiantaram, pessoas não adiantaram só preciso da sensação que me mostre que estou mais viva do que nunca e que meus anseios sejam minha mente tentando me destruir. A maior guerra de todas eu contra eu mesma. Só preciso me libertar..

Amigo Imaginário

          Meu nome é Isabela tenho seis anos, sou uma menina muito esperta. Tenho uma amiga que sempre está comigo, brincamos muito juntas, seu nome é Mel, foi o que ela me disse. Mamãe não a vê, fala que ela é da minha imaginação, mas não é, Mel é real.
          Conheci a Mel quando vim morar nessa casa, me sentia muito sozinha. Ela é muito sapeca, gosta de aprontar com todo mundo, mas a culpa sempre cai em cima de mim, falo para a mamãe que não sou eu que apronta, mas sim a Mel, ela não acredita.
          Estou sentada na sala brincando de boneca com a Mel, ela ama brincar disso. Mamãe fala para eu falar de sozinha, digo que não estou falando sozinha, ela não entende. Mel ficou com raiva dela, levantou e quando mamãe foi na cozinha rasgou as revistas, quando voltou da cozinha, ficou com raiva.
          - Por que fez isso com as minhas revistas Isabela!?
          - Não fui eu – falo quase chorando – foi a Mel.
          - Vai para o seu quarto mocinha, ta de castigo!
          - Mas foi a Mel, não fui eu. 
          - Não existe nenhuma Mel, agora vá para o seu quarto!
          Levanto e subo as escadas para o meu quarto. Chegando lá vejo a Mel sentada na minha cama sorrindo.
         - Por que você fez isso? - pergunto para ela.
         - Ela merecia – Mel responde
         - Mamãe culpou eu!
         - Não gosto da sua mãe, ela é muito chata, você não pode nem conversar comigo. – Mel fala enquanto fica em pé e para na minha frente.
         - Mamãe não é chata, ela só não me compreende.
          - Vamos matá-la? – Mel pergunta com um sorriso em seu rosto
          - NÃO! – grito enquanto me afasto dela
           - Você não gosta de mim?
          - Gosto, mas matar a mamãe não.
          - Ela só nos atrapalha, sem ela poderemos brincar à vontade. – Mel fala com um sorriso assustador
          Saio correndo do quarto, estou com medo da Mel, olho para trás, ela não veio atrás de mim, desço as escadas e encontro a mamãe.
          - O que foi menina, viu um fantasma? – mamãe pergunta
          - É a Mel mamãe.
          - De novo essa Mel, já disse que ela não exis...
          - Existe sim e ela disse que vai matar você!
          Mamãe fica apavorada, a abraço, mas a Mel está atrás dela com uma faca na mão.
         - MAMÃE, A MEL TA ATRAS DE VOCÊ! – tarde demais, ela enfia a faca nas costas da minha mãe.
          - O que é isso? – mamãe pergunta enquanto passa a mão no corte feito pela faca e cai no chão.
          Mel pula em cima da mamãe e começa a esfaqueá-la, Mel esta sorrindo, o sangue se espalhando e eu não consigo fazer nada, só observo. Mamãe morreu, Mel levanta e vem na minha direção, tenho medo dela, devia ter mandado ela embora quando mamãe mandou, agora era tarde demais. Mel me abraça.
          - Pronto, agora podemos brincar sem ser interrompidas. – ela fala sorrindo, sua roupa esta manchada de sangue.
          A porta da sala é aberta, papai entra e vê mamãe no chão morta suja de sangue, ele fica apavorado.
          - O que você fez Bela!? – ele grita
           - Foi a Mel – lagrimas escorrem no meu rosto
          - Não existe Mel, vou chamar a ambulância.
          Depois de poucos minutos a ambulância chega, a polícia também. Papai contou tudo o que viu para eles, a polícia me viu com a faca na mão, não sei como foi parar comigo. Entrei no carro da polícia, papai disse que isso o machucou, não tive culpa, fui levada embora.
          Hoje estou num hospital psiquiátrico para crianças, a Mel veio junto, já faz um ano, papai nunca veio me visitar, só tenho a Mel como companhia.



-Danielle Mauricio

Esquecendo

   O melhor que eu tenho é esquecer. Não me importa mais. Não quero parecer tão inseguro ou infantil demais. Agora eu sei, posso estar enganado, mas sempre haverá tempo pra corrigir os erros. Uma coisa é falar e outra é acreditar no que se diz. Posso até estar atirando no meu próprio pé, mas em se tratando de sentimentos tudo é confuso e sem sentido.

   Enfim, o que eu resolvi hoje foi esquecer. Mesmo que isso custe alguns dos meus sonhos mais esperados. Embora eu ache tudo estranho, no final há algum sentido. Amar eu sei que amei. Lutar também lutei, e se não deu certo... Paciência, resolvi esperar e exercitar a sabedoria do silêncio.

Ricardo Lima

Foi real?

       Não sei como fui parar aqui. Estou em pé, descalça em um quarto com sangue no chão e nas paredes, também tem sangue nas minhas mãos, a roupa que estou vestida é uma calça e uma camisa brancas. O quarto é amplo, sem janelas, apenas uma cama branca com lençol branco um pouco sujo de sangue.
       Meu coração bate forte, quero sair, mas não consigo me mexer. Vejo alguma coisa brilhando na minha frente, parece uma faca.
       - Fernanda se acalme- falo pra mim.
       Tenho que tentar andar, quero sair daqui o mais rápido possível, lágrimas estão escorrendo no meu rosto, grito, parece que ninguém me ouviu.Fecho os olhos, não escuto nada.
       De repente meu corpo começa a andar sozinho, tento controlar, não consigo, o que está acontecendo comigo? Olho para onde to indo, estou chegando perto da faca, NÃO! o que vou fazer, tenho que parar.
       Estou perto da faca, meu corpo para, que bom, suspiro aliviada.Espera! Estou abaixando, fico de joelhos, pego a faca, não consigo me controlar, não me lembro de nada. Minha mão segurando a faca faz cortes no outro braço, está saindo muito sangue - por favor pare - cortes cada vez mais fundos, corta o meu pulso - não consigo parar de chorar - parou de cortar, a faca é levantada a altura do peito - acho que é meu fim - não olho, sinto a ponta da faca entrando, uma dor aguda.

                                                                ....................................

       Acordei toda suada e assustada, não era a primeira vez que tinha esse sonho, mas esse foi diferente, foi muito real.
       Levanto e vou para o banheiro, quando piso no chão sinto alguma coisa molhada debaixo dos meus pés. Olho e estão sujos de sangue como no sonho, minha cama está um pouco suja também. Era um sonho.
       -Não foi real, não foi real- falo pra mim.
       Começo a tremer, a chorar, não foi real.
       Estou com as roupas brancas, nas minhas mãos tem sangue.
       -Não foi....
       Fernanda desmaia.