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NÃO EXISTE UM FIM



Enquanto o mundo todo pede calma
As lembranças pesam numa balança
E as coisas que disseram jamais serão as mesmas
Não sou assim
Mas o mundo não perdoa
Os erros do passado sempre vêm à tona
E destroem bem mais que simples pensamentos

O que há de acontecer no mundo
Depois que todos forem embora
E não haver mais ninguém para culpar
Eu me pergunto isso a toda hora
E agora não sei o que eu faria

Ah... E se eu tivesse as armas nas minhas mãos
Acho que ainda faltariam palavras
E então e mundo não seria tão bonzinho assim

E se as coisas realmente não fossem bem assim
Eu acreditaria na vida da mesma forma que ela acredita em mim
E todo mundo cantaria
E as flores que estavam no jardim
Voltariam a exalar os seus perfumes

Enquanto o mundo pede calma
Eu quero apenas um abrigo
Não aquento mais viver na chuva
Sob todo este temporal

Dizem que a chuva sempre passa
E o sol volta a brilhar
Mas logo após tudo isso passar
Verei que as brincadeiras eram bem mais sérias
E que realmente não existe um fim

Não existe um fim...
Tudo é um recomeço


Ricardo Lima
Poesias & Canções

Preciso Me Afastar

Se eu me afastar
Será uma tentativa pra tentar te esquecer
Sei que será inútil
Mas não posso continuar assim
Há muito mais amor próprio dentro de mim
Que qualquer outro sentimento
Já tentei muito te odiar
Mas isso eu não consigo fazer
Eu estaria sendo injusto comigo mesmo
E o que tu me fez?

Para mim o teu silêncio é tão ensurdecedor
Que eu já não ouço nem sussurros
Afastar-me é preciso
Mas como me afastar e não ser injusto?
Como eu já havia dito:
"Há muito mais amor próprio em mim
Que outro sentimento"

O teu silêncio me ensurdece
Ele grita dentro de mim
Mas como evitar o charme da tua boca
Que puxa para o lado quando fala ou sorri?

Eu preciso me afastar
Antes que essa desilusão me sufoque
Mate os meus sonhos
Se não pela tentativa de fugir
Que seja pela tentativa de me reencontrar
Acho que assim não serei injusto
E tu entenderias de fato
Preciso mais me preocupar com o que eu sou
Preciso fazer algo para me resguardar
Tu já tens a tua vida
E eu preciso encontrar outra maneira para seguir a minha

"Pode não parecer
Mas eu me importo..."

Ricardo Lima

EU MESMO

Sempre serei eu mesmo
Do amanhecer ao fim do dia
Serei o mesmo até nos sonhos
Na eternidade enquanto dormia

Serei a luz do sol
A cor prata da lua
Passarei entre as estrelas
Passo a passo no meio da rua

Serei a luz dentro dos olhos
O fogo que arde sem agonia
Serei as noites quando tão bela
A lua cheia, a meresia

Eu mesmo sempre direi
O quanto tu és sem importância
Não fareis de mim uma fonte
Eterna das tuas lembranças

Poderei ir aonde quiser
Meus passos dirão o caminho
Não furtarei de mim mesmo
O desejo que me faz tão faminto

Ricardo Lima

Blindagem

Hoje as canções que eu faço já não são pra você
Preciso esquecer antes que o meu mundo desabe
Não preciso disso pra sobreviver
Antes eu me virava sozinho
E sempre vencia as minhas próprias batalhas
E encontrava o meu próprio caminho

Preciso tirar você de mim
Antes que seja tarde
Tenho que esquecer o meu passado antes que tudo recomece
E as águas que passaram retornem às correntezas
Não preciso de mais lembranças
As minhas atitudes já não são tão eficazes
Devo me reencontrar em algum novo caminho
Preciso sobreviver a mim mesmo

Agora não importa
O que você falava já não faz sentido
Estou aprendendo a viver
O teu olhar sobre mim já perdeu a força
Mesmo que o meu coração ainda queime
O tempo me ajudou a blindar o meu peito
E o meu coração já está protegido

Ricardo Lima

Uma Tarde de um Feriado do Mês de Dezembro

Veja o meu peito
Sempre o mantive aberto assim
Para que você pudesse chegar a hora que quisesse
Veja os meus olhos
De qualquer forma não chorarei
Mesmo se você quiser partir
Veja as minhas mãos
Sempre vazias assim
Não há nada nelas que não seja de dentro de mim

Veja as minhas lágrimas
Não as mostrarei a mais ninguém
Assim como as minhas feridas
Também não as deixarei assim tão expostas
Veja bem
Olhe nos meus olhos
E não diga nada
Me deixe decifrar os seus pensamentos
Me deixe ver até onde posso te levar comigo
Até onde você seria capaz de caminhar do meu lado

Veja a minha luz
E se não for capaz de vê-la
Talvez se perderá pela escuridão dos meus passos
E se isso acontecer
Feche os olhos e venha as cegas
Mergulhe de cabeça
Assim como eu me atirei nesse precipício perigoso que são os teus olhos
Não me pergunte porquê
E saíba de uma de vez só
Que jamais poderás entender os motivos
E que nos meus braços
É onde encontrarás o calor que necessitas para apagar as chamas que te incendeiam.

Ricardo Lima

A gente sempre acostuma

     Sabe, ainda levo o mesmo olhar. No rosto tenho ainda algumas marcas, tudo que o tempo não apagou. Sabe, algumas porteiras teimam em ficar abertas, algumas lágrimas leva tempo pra secar. Sabe, eu acho que você nunca soube... Não sei porque, mas sempre pensei assim.

    Sabe, o seu tempo nunca foi o meu também, o teu mundo era estranho demais pra que eu entendesse algumas chuvas. Agora, após alguns ventos, eu vejo o quanto eu fui desonesto com partes do meu coração. Sei disso, mas não me arrependo, o meu mundo é muito mais simples que eu imaginava, e as vezes me perguntava se você era capaz de adaptar-se a ele e a mim.

     Sabe, as vezes a minha mente flutua muito, mas a lucidez ainda reina em alguns pequenos momentos do meu dia. Sei que você não entenderia. Aliás, nem mesmo eu entendo alguns dos meus passos. Sabia que o tempo não dita as coisas... Eu sei, o meu passado não é tão presente assim. Sabe, as vezes procuro o teu olhar, e  o vejo em vários rostos. Já acostumei com isso e nem sempre me assusto, mas a saudade que eu sinto, corta bem mais que estilete afiado. Sabe, as lâminas são cortantes, mas não mais que as suas palavras que saíram da sua boca e logo me apedrejou e me deixou com várias marcas espalhadas por toda a minh'alma.

     Sabe, se eu soubesse eu não teria escrito essas palavras. Não que você não as mereça, mas quando ainda não se sabe, a dúvida é uma ótima companhia para os corações solitários.

Ricardo Lima

O Sentido da Vida

   Minha vida era um inferno. Não, não estou sendo exagerado.
Meu nome é José Augusto Silva Motta e tenho 46 anos. Sou morador de ruas. Você deve estar se perguntando os motivos.
Eu costumava ser um jovem feliz. Tinha muitos sonhos, planos... Flertava com as garotas e nunca ficava sem namorada. Até que um dia, encontrei o amor da minha vida. Ana se tornou minha esposa. Nos casamos e tivemos duas lindas filhas gêmeas. Era a família perfeita.
Consegui meu tão sonhado cargo de químico-chefe na empresa em que trabalhava. Estava tudo às mil maravilhas.
   Então veio aquela gravidez. Estávamos tão felizes! Seriam três filhos. Mas foi uma gestação difícil e, no dia do parto, minha Ana não conseguiu. Foi lançada para os obscuros caminhos da morte. Eu a havia perdido. Ficamos só nós. Eu as gêmeas e o recém-nascido. Não sabia se era capaz de segurar a barra que me estava sendo imposta. Levei o bebê para casa e contratei uma babá.
   Um dia, ao sair para trabalhar, a cabeça quente, os olhos inchados e a desilusão me fizeram parar em um bar na esquina. Bebi para esquecer. Foi ótimo! Em pouco tempo, não existiam mais problemas. Cheguei tarde, como se estivesse trabalhando e fui dormir. Não me lembro de ter dado boa noite para meus filhos e nem de contar as histórias preferidas das gêmeas. No outro dia repeti o processo.
Depois de faltar cinco dias seguidos, perdi o emprego. Foi aí que caí em um abismo sem fim.
   Bebendo para esquecer, rapidamente acabei com todas as economias. Comecei a fazer dívidas. Quando o dono do bar que eu costumava frequentar se cansou de me vender bebidas fiado, me expulsou do seu estabelecimento com a promessa de que se voltasse a pôr os pés ali, me encher a cabeça de balas.
Sem coragem para voltar para casa, deixei meus filhos com a babá que não recebia a meses e fugi. Desde aquele dia, perambulo sem rumo pelas ruas.
   Hoje, cinco anos depois, pedindo esmola nas esquinas, consegui algum dinheiro para comprar comida. No caminho do supermercado, parei na porta de um bar com a intenção de comprar uma garrafa de pinga. Não cheguei a pôr os pés lá dentro. Um lampejo de consciência me atingiu e segui em frente.
   Comprei algumas frutas e pão. Então segui rumo ao que chamava de casa. Na verdade era uma marquise, que me protegia da chuva e a qual eu dividia com vários outros  mendigos.
Quase chegando em casa me deparei com uma cena que mudou minha vida completamente.  Eu estava no meio da enorme praça e de lá avistei, na escadaria da igreja, um homem ameaçar  uma mulher com uma arma. Ela, desesperada, segurava o braço do sujeito, com uma força  que só quem se vê em perigo sabe que tem.
   Olhando a cena, decidi que tinha que salvar a vida daquela mulher. Ela não queria morrer. Ela não iria morrer. Com uma astúcia que até então não sabia que possuía, contornei a praça e parei na lateral da escadaria, em um ponto que o agressor não podia me ver. Larguei ali mesmo as sacolas de compras e comecei a subir. Fui rápido e silencioso.
   Parei nos dois últimos degraus e respirei fundo. “É agora” pensei. Com  um pulo, atingi o agressor. Sua vítima, assustada, correu.  Ele tentou se levantar, mas não deixei. Empurrei-o mais uma vez e com o sorriso de vitória no rosto, me preparei para sair dali.
Foi então que meu mundo se tingiu de vermelho. Senti a dor lancinante no meu estômago. Só então, naquele milésimo de segundo, percebi o meu erro. A arma continuava na mão do sujeito. Senti o segundo tiro me atingir no peito.
Meus joelhos fraquejaram.  De repente, vi minha amada esposa com seu sorriso radiante,  segurando nosso filho caçula nos braços. Vi minhas filhas, Yasmim e Emily brincando de pega-pega e sorrindo quando pegavam uma à outra.
   Ana me estendeu a mão. Senti a a paz envolver meus sentidos e todo o sofrimento me abandonou.
Estendi a mão.
Finalmente, minha vida fez sentido...

Luciene Oliveira

Um Alguém

Um alguém que passou?
     Ela toda ali, faceira e inocente, com seu belo sorriso estampado no rosto, com aquela calça jeans meio assim, deslechada. A blusa sempre casual, e requintada. Um dia fora a menina dos meus sonhos, a mais bela, aquela a quem um dia atribuí toda minha inspiração. Eu ali, e ela tão bela, tão perto e tão longe de mim, tão lógico e irreal pelo que imaginava...
     Outros dias, outras vidas, outras horas. Amor quem sabe então... Arrisco as horas que passam em vão. Releitura de um dia, uma noite que a muito tempo se foi, esqueci. Ela ali, tão simples como sempre foi... Passou, perdi o tempo e nada restou. Eu aqui, do mesmo jeito que sempre fui. Mãos vazias, pensamentos cheios, transborda... E ela aqui também, bem presente no meu amanhecer.

     "Não é o tempo que faz as coisas se tornarem importantes. É o valor que atribuímos a elas que as tornam essencial para a nossa vida".
Ricardo Lima

Sabe...

   Sabe! Um dia a gente cansa, deixa de se importar e não liga mais.
Sabe! Não somos obrigados a dar atenção o tempo todo, tudo tem que ser mais ou menos igual. Sim, eu sei que as coisas as vezes complicam, e algumas possibilidades simplesmente desaparecem. Não acho bom pensar em ti assim, como uma possibilidade e talvez, até mesmo como um acaso ou um erro. E no meio de algumas explicações sempre ficam um subtendido, algo que ninguém pode entender.
   Sabe, a vida é mesmo louca, e sempre nos guarda sentimentos assim, extremos entre o ódio e a razão. Queria mesmo ser e fazer diferente de mim, as vezes não me reconheço ou não me vejo de outra forma, ou mesmo, com outro comportamento.
   Sabe, as vezes acho que eu não sei lutar pelo o que eu quero. Não sei querer simplesmente por querer, e ir aonde eu não deveria ir. Sabe, eu sei de muitas coisas e entendo de tudo um pouco. Sabe, eu não penso mais na vida como uma obrigação, e nem me sinto tão bobo assim. Sei que passei por muitas coisas e até agora sobrevivi. Sabe, sim e sei que você sabe, mas não desmonte o retrato que eu lhe vejo. Sonhar é bom, faz a gente ter coragem de seguir em frente. Não pense que eu te esqueci, até que tentei, mas por pura "ironia" do destino, os ventos sempre sopram a teu favor.
   Gosto de ver as estrelas, sabia? Gosto de imagina-las assim, como lágrimas que enfeitam a escuridão da noite. Hoje já não me importo tanto, agora só quero ser eu mesmo, e dividir o que eu tenho de melhor comigo mesmo.
   Posso parecer egoísta, eu sei. Mas, não sinto mais prazer fazendo o que os outros não fariam por mim. E agora que as canções  já perderam as suas melodias e já não me trazem tantas lembranças, é que eu me refaço diante das dificuldades que me encontraram. Você jamais me verá a reclamar da saudade, pois sempre que recomeço, sempre vejo com bons olhos as dores que senti.
   Sabe, os encontros sempre deveriam ser inesperados, e assim dessa forma, jamais perderiam sabor. Sabe, as coisas nem sempre saem como planejamos, e por muitas vezes sentimos medo. Sabe as noites que passei acordado, foram nelas que escrevi tudo pensando em ti, na intenção de diminuir a dor que sentia. Sabe, na verdade, eu nunca quis esquecer e, talvez essa dor era o que alimentava a minha criatividade.    Nas noites que eu não via as estrelas, eu sempre chorava un pouco; mas não pela saudade que eu sentia, talvez pela dor ou alguma outra coisa que me fazia lembrar.       Não... Não faço distinção entre o que eu vejo e a sensação de sentir. Às vezes, sabe, talvez eu minta.
   Embora a distância me sufoque. Embora a dor da lembrança seja algo que me apego constantemente, eu não sei se mentir é uma saída inteligente.
   Mentir talvez seja uma mania, mas eu como ser humano, jamais serei perfeito.

Ricardo Lima

04h e 47m

    Os sonhos ainda estão bem vivos na memória. A noite aparece bem menos e a sensação de que ela passou a galopes de um cavalo mestiço é bem estranha para quem ainda pensa nos sonhos. Uma xícara de café; um batom róseo colorindo a borda da xícara; páginas sofridas de um romance onde os personagens não se tocam...
    Falta amor e sobra sonhos nesse momento do dia. Pela janela, vejo que o sol já começa tingir as nuvens de um vermelho alaranjado bem discreto. Já passam das cinco da manhã, e os sonhos continuam vivos. Mesmo não sendo possíveis, ainda perco o meu tempo assistindo TV.
    Não quero ter que escolher, não tolero o poder da escolha. Prefiro o acontecer, e aconteça o que for, vou estar sempre aqui. Das quatro as cinco da manhã, ainda penso nos sonhos, e ainda acordado, sonho profundamente...

Ricardo Lima
Sociedade dos Poetas Vivos

Ainda Penso em Você

   Ainda penso em você. Penso nas noites mal dormidas ao teu lado, no teu coração batendo tão depressa quanto o meu. Lembro da tua pele deslizando sobre a minha e da tua voz falando baixinho, e dizendo que me ama.
   Lembro das mentiras, dos sorrisos, que às vezes mesmo sem graça eu sempre te beijava, e depois  você olhava pra mim, e dizia que nunca ia acordar desse sonho. Foi aí que tempo passou, e com ele levou a toda aquela magia do encanto. O teu olhar escureceu de tal forma, que eu não mais consegui me ver. O teu sorriso desbotou tanto, que eu não mais te beijava com fervor.
   Não sei o que de repente mudou. Não entendi o porque de tanto amor esfriar assim. Mas de fato aconteceu, e eu me machuquei tanto quanto você. Ainda penso em ti, penso tanto que ainda sinto o teu calor sobre a minha pele. Eu sei que tu pensas em mim, eu sei que tu ainda choras no banheiro sentindo a minha falta.
   Venha me procurar minha linda flor. Ainda estou aqui, ainda tenho o mesmo amor guardado em mim.

Ricardo Lima

Abrindo algumas possibilidades, mas sempre no mesmo lugar.

    Hora ou outra precisamos transgredir regras e sair do nosso mundo perfeito, sentir o vento percorrer o nosso rosto e balançar os nossos cabelos.
Hora ou outra precisamos nos sentir vivos, ricos de possibilidades mesmo que fúteis ou surreais. Precisamos sonhar, é claro. Viver sem se importar com as opiniões alheias. Provar outros sabores e, cultivar sempre a felicidade.

    Hora ou outra, temos que nos parecer consigo mesmo. Temos que ser o que somos e viver as possibilidades sorrindo.
Chorar as vezes é necessário para que possamos rir com mais intensidade. Posso até estar falando isso da boca pra fora, mas aqui dentro de mim,  há um coração queimando e suspirando calado.

    Acordo todos os dias as quatro da manhã. Vejo sempre o dia começando e terminando. Vejo as suas cores, e sinto a poeira que há nos passos cada vez mais lento do passar das horas. Voltando em falar em horas. Além de nos sentirmos vivos, transgredir regras, quebrar tabus e tentar passar despercebidos por entre os olhares esguios das pessoas. Ainda temos que nos sentir de bem com tudo, principalmente com com a vida.

    Hora ou outra, precisamos nos sentir capazes de amar e odiar. Viver harmonicamente com as possibilidades que há nos "Sins" e nos "Nãos" que a vida nos empurra todos os dias.

"Diário de um Vegetal"
(Ricardo Lima)

Delírio dos Meus Sentimentos

Eu estou perdido.
Cheio de sentimentos.
Sentimentos que sufocam
e me deixam sem ar.
Como um morcego,
eu não consigo me orientar no escuro.
Estou mesmo perdido.
Meio toda essa clareza, dentro dessa profunda escuridão.
Não acredito em nada.
Nem mesmo nas coisas que eu tinha antes.
Preciso canalizar meus sentimentos.
Preciso ser eu mesmo, ao menos por um instante.
Preciso ser eu.
Preciso de um lado calculista.
Não preciso de você em mim.
Preciso de mim...
De mim dentro de ti.
Apenas...

Ricardo Lima

Se eu Apenas te Olhasse

O que direi do teu nome...
Se o silêncio sempre me afoga dentro do meu próprio peito.
O que direi dos teus olhos...
Que de tão negros me ensaiam a noite em desespero.
E o que direi de mim... Se tudo que eu sei até agora está gravado dentro do teu desassossego.

O que diria dessa minha cara...
Se apenas isso fosse o suficiente pra você.
E comigo, o que faria?
Se em vez de te dizer eu apenas te olhasse...

Ricardo Lima

Um Tempo Sozinho

   Vou ter que sumir por um tempo, até que  talvez eu faça falta pra alguém. Aprendi a não suplicar a atenção de ninguém, e acho que por isso me submeterei a esse exercício. Sei que o tempo não é lá uma das melhores amizades que eu tenho, mas fazer o quê...
   Apenas quero imergir da lama em que me encontro, só isso. Sinto que a verdade sempre esteve bem do meu lado, e eu que nunca não quis enxergar. Realmente eu não sei o que dizer. Ando em círculos as vezes, e se há algo de bom nisso, acho que seja a facilidade de sempre retornar ao mesmo lugar, e sem riscos de se perder por aí.
   Em algum tempo retornarei. Não posso deixar as minhas palavras morrerem assim, mesmo que pra isso, eu derrame bem mais lágrimas que o previsto. Sim,  Eu sou um poeta que chora. Dizem que homem não chora, mas que homem eu seria, se eu acaso não chorasse?
   Pois bem, terei que sumir por um tempo. Recarregar as baterias e descansar a cabeça. Ficar tranqüilo diante de mim mesmo, e assim ser possível me ver em outros olhos. Acho que antes eu estava sendo tão egoísta, que não queria enxergar a realidade como uma saída simples e eficaz. Querer me enxergar em olhos que não me pertencem foi o cúmulo, o auge do meu egoísmo.
   Tentei fazer com que o mundo girasse em torno de fantasias, e me perdi numa das ilusões que eu mesmo criei. É chato, mesmo pra um poeta como eu. Tão ilusório, displicente e às vezes egoísta e monocentrado em olhares e sorrisos que nunca me pertenceram.

Ricardo Lima