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NÃO EXISTE UM FIM



Enquanto o mundo todo pede calma
As lembranças pesam numa balança
E as coisas que disseram jamais serão as mesmas
Não sou assim
Mas o mundo não perdoa
Os erros do passado sempre vêm à tona
E destroem bem mais que simples pensamentos

O que há de acontecer no mundo
Depois que todos forem embora
E não haver mais ninguém para culpar
Eu me pergunto isso a toda hora
E agora não sei o que eu faria

Ah... E se eu tivesse as armas nas minhas mãos
Acho que ainda faltariam palavras
E então e mundo não seria tão bonzinho assim

E se as coisas realmente não fossem bem assim
Eu acreditaria na vida da mesma forma que ela acredita em mim
E todo mundo cantaria
E as flores que estavam no jardim
Voltariam a exalar os seus perfumes

Enquanto o mundo pede calma
Eu quero apenas um abrigo
Não aquento mais viver na chuva
Sob todo este temporal

Dizem que a chuva sempre passa
E o sol volta a brilhar
Mas logo após tudo isso passar
Verei que as brincadeiras eram bem mais sérias
E que realmente não existe um fim

Não existe um fim...
Tudo é um recomeço


Ricardo Lima
Poesias & Canções

Confissão

...Por isso confesso.

   Tenho apenas a lua como testemunha das claras noites em vão, das canções antigas que eu costumo ouvir quando estou triste, e de algumas notas que arrisco tirar no violão. Mesmo sem encontrar sentido, arrisco-me puxar algum assunto bobo, uma figurinha ou algum outro assunto tolo, mas sinto falta daquela sintonia que mesmo sem fazer sentido, me fazia sentir, e eu sentia muito.

   Arrisco alguns esforços para seguir no mesmo caminho, mas no meu céu já não há estrelas, já não é mais tão claro, já não há luar que me apaixone novamente...

   O meu fraco ainda é o chocolate, e não sei quando irei me recuperar. Os sonhos que eu sonhava sozinho, as dores que eu sentia, os raros momentos de lucidez, estes sim me farão falta. Volto a lembrar do chocolate, da lua cheia próximo a escorpião, e dos infernos astrais que me assolam. Sei que eu não deveria confessar assim. Mas dentro das expectativas e dos meios termos que evito usar, vi o quanto a sinceridade é dolorosa.

   As correntes me prenderam muito mais que eu imaginava. O vento, hoje em dia, me traz o perfume teu que eu nunca senti... sinto que talvez eu deveria ter errado mais, me arriscado mais, e me policiado menos. Sei o que pensas a meu respeito, mas já aceitei tais condições absurdas e fico quieto, sozinho aqui no meu canto e nas palavras vazias que hoje me tornaram menos confuso, menos sonhador e mais centrado em mim mesmo.

   O agora pra mim, é um sempre que acaba daqui a dois minutos. O agora pra mim, é o orgasmo que dura só alguns segundos, e satisfaz uma boa noite sono; sem sonhos; sem culpas e sem perdão. O agora é simplesmente o agora, apático e anáfono. Sem fome e como o céu azul totalmente sem nuvens, desnudo o ardendo na pele.

   Por isso confesso...

   E assim meio confuso abro mão dos chocolates, das noites de lua cheia, das constelações do zodíaco e de uma parte generosa de mim mesmo.


Menina












Menina
O que tu expõe
       além das tuas tatuagens...
Ou na verdade
       O que tu queres esconder...
Serão marcas de um passado
Um coração magoado
O que tens
       Além dos teus olhos descuidados?
Menina
Se eu me tatuar
      será em tua homenagem
Não quero me guardar
       Tampouco resguardar-me de ti
Um dia menina
Que eu olhei tuas dores
Eu pude ver as cores
        e a tristeza no teu sorriso
No dia menina
Em que eu toquei tua luz
Vi que tua pele marcada
Além da tinta haviam lágrimas...


Ricardo Lima

Poesias e poemas

Os seios à mostra
Os pecados exposto na sala
Talvez mais uma lembrança
Talvez outra pessoa


A fome nos olhos
O sexo emanado em formas
As mãos traiçoeiras
O incerto ao orgasmo

Palavras confusas
Descompasso semi-fusa
Notas e enxames
Amostras promiscua


Não serei eu a furtar teu gozo
Tampouco tu verás meu bojo
E nós aqui
simples mortais
Vivenda muito por tão pouco

Ricardo Lima
Poesias&Poemas

Poesia

Sombras...
luzes acesas
flores caídas
Doces sonhos às noites tristonho
Desamparo
funís de areia medida do tempo

Cai à noite imensas alturas
Fontes de água doce cristalina
Doce som
vozes femininas
Madrugada 
amanhecer de cor cinza.


Noite e dia
Sombra água fresca
Delírios
Amantes obra prima
Caminhos e declínios
Sede a boca seca

Beijo na boca
Mel e folha
Segue à fora o que fôra um dia...
Apenas horas
Água fria



Ricardo Lima

O Sentido da Vida

   Minha vida era um inferno. Não, não estou sendo exagerado.
Meu nome é José Augusto Silva Motta e tenho 46 anos. Sou morador de ruas. Você deve estar se perguntando os motivos.
Eu costumava ser um jovem feliz. Tinha muitos sonhos, planos... Flertava com as garotas e nunca ficava sem namorada. Até que um dia, encontrei o amor da minha vida. Ana se tornou minha esposa. Nos casamos e tivemos duas lindas filhas gêmeas. Era a família perfeita.
Consegui meu tão sonhado cargo de químico-chefe na empresa em que trabalhava. Estava tudo às mil maravilhas.
   Então veio aquela gravidez. Estávamos tão felizes! Seriam três filhos. Mas foi uma gestação difícil e, no dia do parto, minha Ana não conseguiu. Foi lançada para os obscuros caminhos da morte. Eu a havia perdido. Ficamos só nós. Eu as gêmeas e o recém-nascido. Não sabia se era capaz de segurar a barra que me estava sendo imposta. Levei o bebê para casa e contratei uma babá.
   Um dia, ao sair para trabalhar, a cabeça quente, os olhos inchados e a desilusão me fizeram parar em um bar na esquina. Bebi para esquecer. Foi ótimo! Em pouco tempo, não existiam mais problemas. Cheguei tarde, como se estivesse trabalhando e fui dormir. Não me lembro de ter dado boa noite para meus filhos e nem de contar as histórias preferidas das gêmeas. No outro dia repeti o processo.
Depois de faltar cinco dias seguidos, perdi o emprego. Foi aí que caí em um abismo sem fim.
   Bebendo para esquecer, rapidamente acabei com todas as economias. Comecei a fazer dívidas. Quando o dono do bar que eu costumava frequentar se cansou de me vender bebidas fiado, me expulsou do seu estabelecimento com a promessa de que se voltasse a pôr os pés ali, me encher a cabeça de balas.
Sem coragem para voltar para casa, deixei meus filhos com a babá que não recebia a meses e fugi. Desde aquele dia, perambulo sem rumo pelas ruas.
   Hoje, cinco anos depois, pedindo esmola nas esquinas, consegui algum dinheiro para comprar comida. No caminho do supermercado, parei na porta de um bar com a intenção de comprar uma garrafa de pinga. Não cheguei a pôr os pés lá dentro. Um lampejo de consciência me atingiu e segui em frente.
   Comprei algumas frutas e pão. Então segui rumo ao que chamava de casa. Na verdade era uma marquise, que me protegia da chuva e a qual eu dividia com vários outros  mendigos.
Quase chegando em casa me deparei com uma cena que mudou minha vida completamente.  Eu estava no meio da enorme praça e de lá avistei, na escadaria da igreja, um homem ameaçar  uma mulher com uma arma. Ela, desesperada, segurava o braço do sujeito, com uma força  que só quem se vê em perigo sabe que tem.
   Olhando a cena, decidi que tinha que salvar a vida daquela mulher. Ela não queria morrer. Ela não iria morrer. Com uma astúcia que até então não sabia que possuía, contornei a praça e parei na lateral da escadaria, em um ponto que o agressor não podia me ver. Larguei ali mesmo as sacolas de compras e comecei a subir. Fui rápido e silencioso.
   Parei nos dois últimos degraus e respirei fundo. “É agora” pensei. Com  um pulo, atingi o agressor. Sua vítima, assustada, correu.  Ele tentou se levantar, mas não deixei. Empurrei-o mais uma vez e com o sorriso de vitória no rosto, me preparei para sair dali.
Foi então que meu mundo se tingiu de vermelho. Senti a dor lancinante no meu estômago. Só então, naquele milésimo de segundo, percebi o meu erro. A arma continuava na mão do sujeito. Senti o segundo tiro me atingir no peito.
Meus joelhos fraquejaram.  De repente, vi minha amada esposa com seu sorriso radiante,  segurando nosso filho caçula nos braços. Vi minhas filhas, Yasmim e Emily brincando de pega-pega e sorrindo quando pegavam uma à outra.
   Ana me estendeu a mão. Senti a a paz envolver meus sentidos e todo o sofrimento me abandonou.
Estendi a mão.
Finalmente, minha vida fez sentido...

Luciene Oliveira

Um Alguém

Um alguém que passou?
     Ela toda ali, faceira e inocente, com seu belo sorriso estampado no rosto, com aquela calça jeans meio assim, deslechada. A blusa sempre casual, e requintada. Um dia fora a menina dos meus sonhos, a mais bela, aquela a quem um dia atribuí toda minha inspiração. Eu ali, e ela tão bela, tão perto e tão longe de mim, tão lógico e irreal pelo que imaginava...
     Outros dias, outras vidas, outras horas. Amor quem sabe então... Arrisco as horas que passam em vão. Releitura de um dia, uma noite que a muito tempo se foi, esqueci. Ela ali, tão simples como sempre foi... Passou, perdi o tempo e nada restou. Eu aqui, do mesmo jeito que sempre fui. Mãos vazias, pensamentos cheios, transborda... E ela aqui também, bem presente no meu amanhecer.

     "Não é o tempo que faz as coisas se tornarem importantes. É o valor que atribuímos a elas que as tornam essencial para a nossa vida".
Ricardo Lima

Sabe...

   Sabe! Um dia a gente cansa, deixa de se importar e não liga mais.
Sabe! Não somos obrigados a dar atenção o tempo todo, tudo tem que ser mais ou menos igual. Sim, eu sei que as coisas as vezes complicam, e algumas possibilidades simplesmente desaparecem. Não acho bom pensar em ti assim, como uma possibilidade e talvez, até mesmo como um acaso ou um erro. E no meio de algumas explicações sempre ficam um subtendido, algo que ninguém pode entender.
   Sabe, a vida é mesmo louca, e sempre nos guarda sentimentos assim, extremos entre o ódio e a razão. Queria mesmo ser e fazer diferente de mim, as vezes não me reconheço ou não me vejo de outra forma, ou mesmo, com outro comportamento.
   Sabe, as vezes acho que eu não sei lutar pelo o que eu quero. Não sei querer simplesmente por querer, e ir aonde eu não deveria ir. Sabe, eu sei de muitas coisas e entendo de tudo um pouco. Sabe, eu não penso mais na vida como uma obrigação, e nem me sinto tão bobo assim. Sei que passei por muitas coisas e até agora sobrevivi. Sabe, sim e sei que você sabe, mas não desmonte o retrato que eu lhe vejo. Sonhar é bom, faz a gente ter coragem de seguir em frente. Não pense que eu te esqueci, até que tentei, mas por pura "ironia" do destino, os ventos sempre sopram a teu favor.
   Gosto de ver as estrelas, sabia? Gosto de imagina-las assim, como lágrimas que enfeitam a escuridão da noite. Hoje já não me importo tanto, agora só quero ser eu mesmo, e dividir o que eu tenho de melhor comigo mesmo.
   Posso parecer egoísta, eu sei. Mas, não sinto mais prazer fazendo o que os outros não fariam por mim. E agora que as canções  já perderam as suas melodias e já não me trazem tantas lembranças, é que eu me refaço diante das dificuldades que me encontraram. Você jamais me verá a reclamar da saudade, pois sempre que recomeço, sempre vejo com bons olhos as dores que senti.
   Sabe, os encontros sempre deveriam ser inesperados, e assim dessa forma, jamais perderiam sabor. Sabe, as coisas nem sempre saem como planejamos, e por muitas vezes sentimos medo. Sabe as noites que passei acordado, foram nelas que escrevi tudo pensando em ti, na intenção de diminuir a dor que sentia. Sabe, na verdade, eu nunca quis esquecer e, talvez essa dor era o que alimentava a minha criatividade.    Nas noites que eu não via as estrelas, eu sempre chorava un pouco; mas não pela saudade que eu sentia, talvez pela dor ou alguma outra coisa que me fazia lembrar.       Não... Não faço distinção entre o que eu vejo e a sensação de sentir. Às vezes, sabe, talvez eu minta.
   Embora a distância me sufoque. Embora a dor da lembrança seja algo que me apego constantemente, eu não sei se mentir é uma saída inteligente.
   Mentir talvez seja uma mania, mas eu como ser humano, jamais serei perfeito.

Ricardo Lima

Ainda Penso em Você

   Ainda penso em você. Penso nas noites mal dormidas ao teu lado, no teu coração batendo tão depressa quanto o meu. Lembro da tua pele deslizando sobre a minha e da tua voz falando baixinho, e dizendo que me ama.
   Lembro das mentiras, dos sorrisos, que às vezes mesmo sem graça eu sempre te beijava, e depois  você olhava pra mim, e dizia que nunca ia acordar desse sonho. Foi aí que tempo passou, e com ele levou a toda aquela magia do encanto. O teu olhar escureceu de tal forma, que eu não mais consegui me ver. O teu sorriso desbotou tanto, que eu não mais te beijava com fervor.
   Não sei o que de repente mudou. Não entendi o porque de tanto amor esfriar assim. Mas de fato aconteceu, e eu me machuquei tanto quanto você. Ainda penso em ti, penso tanto que ainda sinto o teu calor sobre a minha pele. Eu sei que tu pensas em mim, eu sei que tu ainda choras no banheiro sentindo a minha falta.
   Venha me procurar minha linda flor. Ainda estou aqui, ainda tenho o mesmo amor guardado em mim.

Ricardo Lima

Abrindo algumas possibilidades, mas sempre no mesmo lugar.

    Hora ou outra precisamos transgredir regras e sair do nosso mundo perfeito, sentir o vento percorrer o nosso rosto e balançar os nossos cabelos.
Hora ou outra precisamos nos sentir vivos, ricos de possibilidades mesmo que fúteis ou surreais. Precisamos sonhar, é claro. Viver sem se importar com as opiniões alheias. Provar outros sabores e, cultivar sempre a felicidade.

    Hora ou outra, temos que nos parecer consigo mesmo. Temos que ser o que somos e viver as possibilidades sorrindo.
Chorar as vezes é necessário para que possamos rir com mais intensidade. Posso até estar falando isso da boca pra fora, mas aqui dentro de mim,  há um coração queimando e suspirando calado.

    Acordo todos os dias as quatro da manhã. Vejo sempre o dia começando e terminando. Vejo as suas cores, e sinto a poeira que há nos passos cada vez mais lento do passar das horas. Voltando em falar em horas. Além de nos sentirmos vivos, transgredir regras, quebrar tabus e tentar passar despercebidos por entre os olhares esguios das pessoas. Ainda temos que nos sentir de bem com tudo, principalmente com com a vida.

    Hora ou outra, precisamos nos sentir capazes de amar e odiar. Viver harmonicamente com as possibilidades que há nos "Sins" e nos "Nãos" que a vida nos empurra todos os dias.

"Diário de um Vegetal"
(Ricardo Lima)

Apenas uma noite

Um corpo no chão
Uma mãe sem o filho
Quanto tempo mais vamos ficar nessa situação?
O futuro arrancado a força
Apenas uma noite

O inocente sentenciado a morte
O culpado livre
O medo domina a todos
Lei do silêncio
Apenas uma noite

Irmã sem o irmão
Uma alma foi perdida
O sangue se espalha no chão
Silêncio noturno
Apenas uma noite

Namorada sem o namorado
Lagrimas limpam a face dos vivos
O corpo é levado
A saudade ficou
Apenas uma noite


-Danielle Mauricio

Delírio dos Meus Sentimentos

Eu estou perdido.
Cheio de sentimentos.
Sentimentos que sufocam
e me deixam sem ar.
Como um morcego,
eu não consigo me orientar no escuro.
Estou mesmo perdido.
Meio toda essa clareza, dentro dessa profunda escuridão.
Não acredito em nada.
Nem mesmo nas coisas que eu tinha antes.
Preciso canalizar meus sentimentos.
Preciso ser eu mesmo, ao menos por um instante.
Preciso ser eu.
Preciso de um lado calculista.
Não preciso de você em mim.
Preciso de mim...
De mim dentro de ti.
Apenas...

Ricardo Lima