Um Alguém

Um alguém que passou?
     Ela toda ali, faceira e inocente, com seu belo sorriso estampado no rosto, com aquela calça jeans meio assim, deslechada. A blusa sempre casual, e requintada. Um dia fora a menina dos meus sonhos, a mais bela, aquela a quem um dia atribuí toda minha inspiração. Eu ali, e ela tão bela, tão perto e tão longe de mim, tão lógico e irreal pelo que imaginava...
     Outros dias, outras vidas, outras horas. Amor quem sabe então... Arrisco as horas que passam em vão. Releitura de um dia, uma noite que a muito tempo se foi, esqueci. Ela ali, tão simples como sempre foi... Passou, perdi o tempo e nada restou. Eu aqui, do mesmo jeito que sempre fui. Mãos vazias, pensamentos cheios, transborda... E ela aqui também, bem presente no meu amanhecer.

     "Não é o tempo que faz as coisas se tornarem importantes. É o valor que atribuímos a elas que as tornam essencial para a nossa vida".
Ricardo Lima

Dia 15 de um mês Qualquer

   Faz sexo todos os dias e sorri sem graça. O que mais faz parte do seus desejos? Por isso eu assim como sou, meio que equilibrado entre as coisas naturais e a loucura. Ando sempre por aqui, abeirando a vida e arranhando as prioridades que sempre invento por aí.
   Me desculpe por ter falado assim tão direto. Sexo é coisa séria, termômetro do amor, fonte inesgotável de prazeres, mas fazer o que se eu te vejo assim? Sempre artificialmente sorrindo e vivendo no mundo de um faz de contas.  Sexo é prazer sim, mas nunca será tudo, não se pode ter bases no simples prazer de gozar. Eu gozo, tu gozas, eles gozam. Eu não estou te ensinado gramática, apenas tentando mostrar que entre o trepar e os poucos segundos de gozo, há um coração sedento de muito mais... Sedento por um abraço sincero, por um beijo lento e demorado, por uma mensagem no fim do dia perguntado "como você está" sem se preocupar com a hora.
   Assim parece ser melhor, mas há sempre um problema que aparece, um sol que brilha e não aquece. Um sol que embrulha, um sol que não diz nada. Na verdade, o hoje nos escraviza. Estamos sempre presos nos prazeres, ou ao o que nos dar prazer.
   Faz sexo sempre, e sorri bastante. Mas rir sem graça, algo falta nos olhos dela. Parecem artificias os seus prazeres. O que te dar prazer então? O meu coração está aqui, aberto feito um livro de romance chato e meloso. Sempre te dei o meu eu por completo, a minha alma, o meu tudo. Dediquei o meu tempo a te contemplar assim mesmo, distante.... Mesmo aqui perdido no meu mundo de ilusões.

   Sexo é banal, é bacana e é essencial pra vida. Sexo é prazer não só do corpo. Sexo também é prazer da alma. Só os loucos gozam de amor e, se masturbam de absurdos. É meio que navegar por mares promíscuos sem prostituir o próprio ego, turvar os olhos de orgasmo, enfiar o dedo ao olho nú.
   Faz sexo e se perde de prazer, e não rí. Dorme sem sono, e se perde na palma da própria mão. Soca o vento, e se veste de brincar de amores. Vive como quem não entende nada, apenas pra ver o tempo passar. E não importa se eu gozar. Se ele gozar, ou mesmo, se ela não faz gozar...
   Assim se faz... gozar sozinho tanto faz... mas se for pra rir... o meu sorriso é bem mais animado.

Ricardo Lima

Sabe...

   Sabe! Um dia a gente cansa, deixa de se importar e não liga mais.
Sabe! Não somos obrigados a dar atenção o tempo todo, tudo tem que ser mais ou menos igual. Sim, eu sei que as coisas as vezes complicam, e algumas possibilidades simplesmente desaparecem. Não acho bom pensar em ti assim, como uma possibilidade e talvez, até mesmo como um acaso ou um erro. E no meio de algumas explicações sempre ficam um subtendido, algo que ninguém pode entender.
   Sabe, a vida é mesmo louca, e sempre nos guarda sentimentos assim, extremos entre o ódio e a razão. Queria mesmo ser e fazer diferente de mim, as vezes não me reconheço ou não me vejo de outra forma, ou mesmo, com outro comportamento.
   Sabe, as vezes acho que eu não sei lutar pelo o que eu quero. Não sei querer simplesmente por querer, e ir aonde eu não deveria ir. Sabe, eu sei de muitas coisas e entendo de tudo um pouco. Sabe, eu não penso mais na vida como uma obrigação, e nem me sinto tão bobo assim. Sei que passei por muitas coisas e até agora sobrevivi. Sabe, sim e sei que você sabe, mas não desmonte o retrato que eu lhe vejo. Sonhar é bom, faz a gente ter coragem de seguir em frente. Não pense que eu te esqueci, até que tentei, mas por pura "ironia" do destino, os ventos sempre sopram a teu favor.
   Gosto de ver as estrelas, sabia? Gosto de imagina-las assim, como lágrimas que enfeitam a escuridão da noite. Hoje já não me importo tanto, agora só quero ser eu mesmo, e dividir o que eu tenho de melhor comigo mesmo.
   Posso parecer egoísta, eu sei. Mas, não sinto mais prazer fazendo o que os outros não fariam por mim. E agora que as canções  já perderam as suas melodias e já não me trazem tantas lembranças, é que eu me refaço diante das dificuldades que me encontraram. Você jamais me verá a reclamar da saudade, pois sempre que recomeço, sempre vejo com bons olhos as dores que senti.
   Sabe, os encontros sempre deveriam ser inesperados, e assim dessa forma, jamais perderiam sabor. Sabe, as coisas nem sempre saem como planejamos, e por muitas vezes sentimos medo. Sabe as noites que passei acordado, foram nelas que escrevi tudo pensando em ti, na intenção de diminuir a dor que sentia. Sabe, na verdade, eu nunca quis esquecer e, talvez essa dor era o que alimentava a minha criatividade.    Nas noites que eu não via as estrelas, eu sempre chorava un pouco; mas não pela saudade que eu sentia, talvez pela dor ou alguma outra coisa que me fazia lembrar.       Não... Não faço distinção entre o que eu vejo e a sensação de sentir. Às vezes, sabe, talvez eu minta.
   Embora a distância me sufoque. Embora a dor da lembrança seja algo que me apego constantemente, eu não sei se mentir é uma saída inteligente.
   Mentir talvez seja uma mania, mas eu como ser humano, jamais serei perfeito.

Ricardo Lima

Te mostrei a lua

Ontem te mostrei a lua,
e queria que ficasses nua.
Mas teu sorriso, naquele instante, me bastava
E nele via o que sonhavas.
E bem no fundo dos teus olhos
Pude ver o brilho
Que já era teu
                      ou dela,
Vice-versa.
Já nem sabia quem pegava o brilho de quem.
E no tocar da pele:
Um arrepio;
                    um calafrio;
Um desejo constante de segurar a tua mão
E te mostrar a próxima fase do luar.
Te fazer amar e sonhar.
Ali, bem pertinho do mar.

- Marcello Tea