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Eu e Ela

Ela queria tudo

E eu só tinha a mim mesmo para oferecer

Ela achava pouco

Mas esqueceu que o pouco era tudo que eu tinha

Ela me deixou partir

Eu prometi não mais voltar

Seguimos caminhos diferentes

Eu só tinha os meus sonhos

Sei que não eram muitos

Porém o essencial pra eu ser feliz

Ela tinha suas vontades

E sempre queria mais

Ela também tinha sonhos

Mas não acreditava

Achava que não eram suficientes

E não notava que o muito era tão pouco pra viver

Eu quis ir além

E por teimosia consegui chegar

Ela apenas quis estacionar

E ainda hoje está lá

E eu que não queria voltar

Voltei e estou feliz

Ela pode ser feliz também

Espero que seja

Por ela eu fui e voltei

Agradeço por ter me deixado ir

Mas queria que ela também estivesse aqui


Ricardo Lima

Confissão

...Por isso confesso.

   Tenho apenas a lua como testemunha das claras noites em vão, das canções antigas que eu costumo ouvir quando estou triste, e de algumas notas que arrisco tirar no violão. Mesmo sem encontrar sentido, arrisco-me puxar algum assunto bobo, uma figurinha ou algum outro assunto tolo, mas sinto falta daquela sintonia que mesmo sem fazer sentido, me fazia sentir, e eu sentia muito.

   Arrisco alguns esforços para seguir no mesmo caminho, mas no meu céu já não há estrelas, já não é mais tão claro, já não há luar que me apaixone novamente...

   O meu fraco ainda é o chocolate, e não sei quando irei me recuperar. Os sonhos que eu sonhava sozinho, as dores que eu sentia, os raros momentos de lucidez, estes sim me farão falta. Volto a lembrar do chocolate, da lua cheia próximo a escorpião, e dos infernos astrais que me assolam. Sei que eu não deveria confessar assim. Mas dentro das expectativas e dos meios termos que evito usar, vi o quanto a sinceridade é dolorosa.

   As correntes me prenderam muito mais que eu imaginava. O vento, hoje em dia, me traz o perfume teu que eu nunca senti... sinto que talvez eu deveria ter errado mais, me arriscado mais, e me policiado menos. Sei o que pensas a meu respeito, mas já aceitei tais condições absurdas e fico quieto, sozinho aqui no meu canto e nas palavras vazias que hoje me tornaram menos confuso, menos sonhador e mais centrado em mim mesmo.

   O agora pra mim, é um sempre que acaba daqui a dois minutos. O agora pra mim, é o orgasmo que dura só alguns segundos, e satisfaz uma boa noite sono; sem sonhos; sem culpas e sem perdão. O agora é simplesmente o agora, apático e anáfono. Sem fome e como o céu azul totalmente sem nuvens, desnudo o ardendo na pele.

   Por isso confesso...

   E assim meio confuso abro mão dos chocolates, das noites de lua cheia, das constelações do zodíaco e de uma parte generosa de mim mesmo.


Preciso Me Afastar

Se eu me afastar
Será uma tentativa pra tentar te esquecer
Sei que será inútil
Mas não posso continuar assim
Há muito mais amor próprio dentro de mim
Que qualquer outro sentimento
Já tentei muito te odiar
Mas isso eu não consigo fazer
Eu estaria sendo injusto comigo mesmo
E o que tu me fez?

Para mim o teu silêncio é tão ensurdecedor
Que eu já não ouço nem sussurros
Afastar-me é preciso
Mas como me afastar e não ser injusto?
Como eu já havia dito:
"Há muito mais amor próprio em mim
Que outro sentimento"

O teu silêncio me ensurdece
Ele grita dentro de mim
Mas como evitar o charme da tua boca
Que puxa para o lado quando fala ou sorri?

Eu preciso me afastar
Antes que essa desilusão me sufoque
Mate os meus sonhos
Se não pela tentativa de fugir
Que seja pela tentativa de me reencontrar
Acho que assim não serei injusto
E tu entenderias de fato
Preciso mais me preocupar com o que eu sou
Preciso fazer algo para me resguardar
Tu já tens a tua vida
E eu preciso encontrar outra maneira para seguir a minha

"Pode não parecer
Mas eu me importo..."

Ricardo Lima

TEMPESTADES

Google Images
    Está muito difícil pra mim. A chuva lá fora, e aqui dentro a ausência que o teu perfume me faz. A noite, quando as estrelas aparecem, percebo que eu tinha muito mais do que eu sabia, e se fossemos procurar culpados, passaríamos a vida toda assim, distantes e ausentes do mundo. O que a vida nos guarda? O que seriamos se tivéssemos mais tempo para tentar ajustar as coisas e deixar tudo nos trilhos? 
    Realmente não sei! Ontem me vi como a muito tempo não me via antes, e isso me assustou. Perdi o que antes eu tinha de sobra, o meu humor se foi, e não deixou ao menos lembranças. Chorar eu não chorei, rir também não. É engraçado como tudo fica claro depois que o tempo passa, que a chuva para e o sol brilha. 
    Hoje eu sei e entendo até aonde as parcelas de culpa foram e depois se multiplicaram. Sei que o frio é horrível, e às vezes o calor esfria bem mais. Contradições a parte e menos acusação em ambas.
    Agora que as chuvas passaram, talvez as coisas melhorem pra mim. Mas hoje, da forma como eu conduzo as minhas peculiaridades, noto que nada mudará, e apenas o tempo passará, e eu ficarei aqui, com as dores e as sortes que me destinam. 

RICARDO LIMA 

Menina












Menina
O que tu expõe
       além das tuas tatuagens...
Ou na verdade
       O que tu queres esconder...
Serão marcas de um passado
Um coração magoado
O que tens
       Além dos teus olhos descuidados?
Menina
Se eu me tatuar
      será em tua homenagem
Não quero me guardar
       Tampouco resguardar-me de ti
Um dia menina
Que eu olhei tuas dores
Eu pude ver as cores
        e a tristeza no teu sorriso
No dia menina
Em que eu toquei tua luz
Vi que tua pele marcada
Além da tinta haviam lágrimas...


Ricardo Lima

Poesias e poemas

Os seios à mostra
Os pecados exposto na sala
Talvez mais uma lembrança
Talvez outra pessoa


A fome nos olhos
O sexo emanado em formas
As mãos traiçoeiras
O incerto ao orgasmo

Palavras confusas
Descompasso semi-fusa
Notas e enxames
Amostras promiscua


Não serei eu a furtar teu gozo
Tampouco tu verás meu bojo
E nós aqui
simples mortais
Vivenda muito por tão pouco

Ricardo Lima
Poesias&Poemas

Uma Tarde de um Feriado do Mês de Dezembro

Veja o meu peito
Sempre o mantive aberto assim
Para que você pudesse chegar a hora que quisesse
Veja os meus olhos
De qualquer forma não chorarei
Mesmo se você quiser partir
Veja as minhas mãos
Sempre vazias assim
Não há nada nelas que não seja de dentro de mim

Veja as minhas lágrimas
Não as mostrarei a mais ninguém
Assim como as minhas feridas
Também não as deixarei assim tão expostas
Veja bem
Olhe nos meus olhos
E não diga nada
Me deixe decifrar os seus pensamentos
Me deixe ver até onde posso te levar comigo
Até onde você seria capaz de caminhar do meu lado

Veja a minha luz
E se não for capaz de vê-la
Talvez se perderá pela escuridão dos meus passos
E se isso acontecer
Feche os olhos e venha as cegas
Mergulhe de cabeça
Assim como eu me atirei nesse precipício perigoso que são os teus olhos
Não me pergunte porquê
E saíba de uma de vez só
Que jamais poderás entender os motivos
E que nos meus braços
É onde encontrarás o calor que necessitas para apagar as chamas que te incendeiam.

Ricardo Lima

A gente sempre acostuma

     Sabe, ainda levo o mesmo olhar. No rosto tenho ainda algumas marcas, tudo que o tempo não apagou. Sabe, algumas porteiras teimam em ficar abertas, algumas lágrimas leva tempo pra secar. Sabe, eu acho que você nunca soube... Não sei porque, mas sempre pensei assim.

    Sabe, o seu tempo nunca foi o meu também, o teu mundo era estranho demais pra que eu entendesse algumas chuvas. Agora, após alguns ventos, eu vejo o quanto eu fui desonesto com partes do meu coração. Sei disso, mas não me arrependo, o meu mundo é muito mais simples que eu imaginava, e as vezes me perguntava se você era capaz de adaptar-se a ele e a mim.

     Sabe, as vezes a minha mente flutua muito, mas a lucidez ainda reina em alguns pequenos momentos do meu dia. Sei que você não entenderia. Aliás, nem mesmo eu entendo alguns dos meus passos. Sabia que o tempo não dita as coisas... Eu sei, o meu passado não é tão presente assim. Sabe, as vezes procuro o teu olhar, e  o vejo em vários rostos. Já acostumei com isso e nem sempre me assusto, mas a saudade que eu sinto, corta bem mais que estilete afiado. Sabe, as lâminas são cortantes, mas não mais que as suas palavras que saíram da sua boca e logo me apedrejou e me deixou com várias marcas espalhadas por toda a minh'alma.

     Sabe, se eu soubesse eu não teria escrito essas palavras. Não que você não as mereça, mas quando ainda não se sabe, a dúvida é uma ótima companhia para os corações solitários.

Ricardo Lima

Sabe...

   Sabe! Um dia a gente cansa, deixa de se importar e não liga mais.
Sabe! Não somos obrigados a dar atenção o tempo todo, tudo tem que ser mais ou menos igual. Sim, eu sei que as coisas as vezes complicam, e algumas possibilidades simplesmente desaparecem. Não acho bom pensar em ti assim, como uma possibilidade e talvez, até mesmo como um acaso ou um erro. E no meio de algumas explicações sempre ficam um subtendido, algo que ninguém pode entender.
   Sabe, a vida é mesmo louca, e sempre nos guarda sentimentos assim, extremos entre o ódio e a razão. Queria mesmo ser e fazer diferente de mim, as vezes não me reconheço ou não me vejo de outra forma, ou mesmo, com outro comportamento.
   Sabe, as vezes acho que eu não sei lutar pelo o que eu quero. Não sei querer simplesmente por querer, e ir aonde eu não deveria ir. Sabe, eu sei de muitas coisas e entendo de tudo um pouco. Sabe, eu não penso mais na vida como uma obrigação, e nem me sinto tão bobo assim. Sei que passei por muitas coisas e até agora sobrevivi. Sabe, sim e sei que você sabe, mas não desmonte o retrato que eu lhe vejo. Sonhar é bom, faz a gente ter coragem de seguir em frente. Não pense que eu te esqueci, até que tentei, mas por pura "ironia" do destino, os ventos sempre sopram a teu favor.
   Gosto de ver as estrelas, sabia? Gosto de imagina-las assim, como lágrimas que enfeitam a escuridão da noite. Hoje já não me importo tanto, agora só quero ser eu mesmo, e dividir o que eu tenho de melhor comigo mesmo.
   Posso parecer egoísta, eu sei. Mas, não sinto mais prazer fazendo o que os outros não fariam por mim. E agora que as canções  já perderam as suas melodias e já não me trazem tantas lembranças, é que eu me refaço diante das dificuldades que me encontraram. Você jamais me verá a reclamar da saudade, pois sempre que recomeço, sempre vejo com bons olhos as dores que senti.
   Sabe, os encontros sempre deveriam ser inesperados, e assim dessa forma, jamais perderiam sabor. Sabe, as coisas nem sempre saem como planejamos, e por muitas vezes sentimos medo. Sabe as noites que passei acordado, foram nelas que escrevi tudo pensando em ti, na intenção de diminuir a dor que sentia. Sabe, na verdade, eu nunca quis esquecer e, talvez essa dor era o que alimentava a minha criatividade.    Nas noites que eu não via as estrelas, eu sempre chorava un pouco; mas não pela saudade que eu sentia, talvez pela dor ou alguma outra coisa que me fazia lembrar.       Não... Não faço distinção entre o que eu vejo e a sensação de sentir. Às vezes, sabe, talvez eu minta.
   Embora a distância me sufoque. Embora a dor da lembrança seja algo que me apego constantemente, eu não sei se mentir é uma saída inteligente.
   Mentir talvez seja uma mania, mas eu como ser humano, jamais serei perfeito.

Ricardo Lima