TEMPESTADES

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    Está muito difícil pra mim. A chuva lá fora, e aqui dentro a ausência que o teu perfume me faz. A noite, quando as estrelas aparecem, percebo que eu tinha muito mais do que eu sabia, e se fossemos procurar culpados, passaríamos a vida toda assim, distantes e ausentes do mundo. O que a vida nos guarda? O que seriamos se tivéssemos mais tempo para tentar ajustar as coisas e deixar tudo nos trilhos? 
    Realmente não sei! Ontem me vi como a muito tempo não me via antes, e isso me assustou. Perdi o que antes eu tinha de sobra, o meu humor se foi, e não deixou ao menos lembranças. Chorar eu não chorei, rir também não. É engraçado como tudo fica claro depois que o tempo passa, que a chuva para e o sol brilha. 
    Hoje eu sei e entendo até aonde as parcelas de culpa foram e depois se multiplicaram. Sei que o frio é horrível, e às vezes o calor esfria bem mais. Contradições a parte e menos acusação em ambas.
    Agora que as chuvas passaram, talvez as coisas melhorem pra mim. Mas hoje, da forma como eu conduzo as minhas peculiaridades, noto que nada mudará, e apenas o tempo passará, e eu ficarei aqui, com as dores e as sortes que me destinam. 

RICARDO LIMA 

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