Poema

A grama cheirava a chuva molhada
Ou seria o tempo?
A noite?
Quem sabe os versos
Cheirando a chuva
Lembrei que hoje
Só por hoje
Não quero falar de amor
Podia falar de goiaba
Ou da minha alma.
Fazendo dessa lira romantiquinha
Revirar os inversos
E se apoderar dos botecos
(Risos)
A boca
Onde entra palavras
Sai gemidos
E engole o meu sabor
Sabor meu
Esse que só eu sei fazer
Mais ninguém
(Silêncio)
É, eu me acho
Se quiser, pode achar também.
Vivo na esquina 112
De conversinha com dois pombos
Uma árvore
Papel e caneta
Planeta Terra
Te compro uma flor
Se...chegar
Aproximar
Te dou uma das minhas meias azuis
Alguns versinhos bem incomuns.
Falo demais.
Ah, sei fazer café
E uma boa massagem no pé
Olhe torto
Ache graça
Mas não esqueça
Deixe que esse sou
Se transforme em nós
Dançando o blues da praça central
Longe de todo esse carnaval.
All things she said
E o que ainda vou dizer
No teu ouvido
Chegue mais perto
Ta sentindo?
A respiração...É toda sua
Minha atenção.

SÂMYA SOUSA
Autora Convidada

Há muito de você em mim

   Hoje é o vento que me indica a direção a seguir, e assim irei sem promessas e sem pudores. Deixarei as dúvidas por aqui, e assim irei sem deixar motivos para voltar. Houve um tempo em que eu me enganava muito mais. E na verdade, tudo que eu pude fazer foi apenas observar. Se procuro ou vejo o teu olhar em outras pessoas, isso quer dizer que eu não estou tão livre assim, e que ainda há muito de você em mim.

   Não vejo isso como algo ruim ou destrutivo, muito pelo contrário. Isso mostra a mim e a ti, o quanto valorizei os pequenos detalhes e não somente os fatos que mais nos marcaram.
  
Abandono está luta sim, e saio com a cabeça tranquila e uma certeza no olhar. Eu sei que uma verdade sempre prevalecerá, e assim fará com o que eu me sinta sempre por perto. Mesmo estando aqui, sozinho e distante de ti.

Ricardo Lima

Desabafo...

Peço-lhes perdão pelo teor das palavras, mas não me preocuparei muito com isso. Meu texto terá mais de dez linhas. Sendo assim, poucos se darão o trabalho de ler e, dos poucos que lerão, menos da metade irão entender.

Só um desabafo...

A cada dia que passa, percebo a magnitude de um sistema cruel e desigual, que se faz passar como algo normal e, pior, fazer com que muitos acreditem que ele é “bonzinho”.
Isso me faz crer que vivemos em uma sociedade entorpecida!
Cada vez que leio e/ou assisto a um escândalo de corrupção, eu me pergunto: “isso que é uma democracia ?”. Porém, quando chego ao trabalho, tenho a triste certeza que é uma democracia e, que o erro não está, tão somente no corrupto, mas sim, nessa sociedade “cracuda”, a qual estou inserido.
Ultimamente, tenho visto diversos questionamentos estúpidos, por vezes, imbecis!
Porém, vivemos em uma sociedade anestesiada pelo ópio do consumo, mesmo que parcelado em 10 vezes, sem juros no cartão, ou 60 meses para pagar.
Quando na verdade, deveriam contestar a corrupção, o próprio governo, as leis e a si mesmo!
Isso, A SI MESMO!
O sistema é F#DA!
Se tudo está assim, não se esqueça, vivemos em uma democracia.
Onde o desejo da maioria deveria ser atendido, mas a maioria, vem desejando usar a roupa que quer e, isso sim, deve mudar o país. Pra que lutar por uma sociedade mais justa, menos desigual ?
A cor do vestido é mais importante que a crise que se anuncia, do que a corrupção escancarada, do que o transporte de merda que temos, se "Charlie" vai aceitar o desafio ou não, é a maior preocupação do cidadão.
Essa ideologia de uma geração que acha que se movimenta, mas está parada.
Isso se deve aos efeitos alucinógenos do crack (mídia) e ópio (consumo), que com maestria vem conduzindo o sistema e levando a maioria para o túmulo, tenham certeza de que todos que sobreviverem estarão de preto no dia do grande velório da sociedade.
Mas, como diz Marcelo D2; “Enquanto uns choram, outros vem e os devoram. O meu pensamento não é como o seu”.
Enquanto isso, uns poucos subversivos remam contra a maré, porém sem muitas forças se aniquilam com essa sociedade doente.
E ai, digo a vocês! Eu me orgulho de contrariar o sistema, porém tive e tenho uma ótima base familiar. Olha que minha avó ficou longe da distinta diplomação, mas foi doutora, na arte de me educar, mesmo com todas as adversidades, mesmo sendo eu um morador de favela, estudante de escola pública e tendo ela sustentando a casa com o suor do subemprego, mas tudo isso foi compensado com muita dignidade, hombridade e exemplos, acima de tudo EXEMPLOS.
Não tive muitos luxos, mas o pouco que tive valorizei e transformei na minha realidade.
Fui uma anomalia dentro da minha realidade. Mas, ser uma anomalia, dentro de uma sociedade doente, me fez bem!

Ai eu digo, parafraseando, mais uma vez, Marcelo D2: “Vou te explicar como é que eu faço pra sair dessa merda... Eu tô sempre ligado, e mantenho minha mente aberta... Com dinheiro é muito fácil, todo mundo é feliz, eu quero vê tira onda sem dinheiro como eu fiz... (...) Oh, Oh, Não ri pra mim não amigo, eu tô falando sério, tudo que eu quero é ficar longe de um cemitério... O critério é da morte você ficar longe, com camisinha, com droga ou na mão dos Homens... O bom malandro sabe o que quer, se você não sabe, tá tirando onda de Mané... Assim como Mussum da Mangueira eu não espero o sistema, eu corro atrás e faço meu esquema...”

Assim, termino o meu desabafo: tirando onda de malandro, vivendo no meio de manés...

Um Dia de Chuva

Um Pequeno Desabafo

   As vezes choramos por motivos fúteis, mas sempre  sorrimos por coisas bem tolas. Mas assim é a vida, dividi-se em fases que jamais entenderemos. E se tentarmos entender, certamente choraríamos pelo mesmo motivo. O sol nasce todos os dias, e consequentemente as chances também se renovam. Eu vivo assim, entre os meios termos ou condições nenhuma para ter certezas ou afirmar alguns planos. Não quero ter que escolher, pois assim, talvez eu faça alguma escolha errada.
   O pior pra mim foi prometer, logo eu que odiava promesas. Não sou sempre assim tão pessimista, às vezes acredito nas pessoas e numa saída milagrosa. E se me perguntarem sobre o meu amanhecer, é assim que eu acordo e me sinto, meio perdido em tudo e dividido por um olhar asfixiado e sufocante. Tão quanto assim se faz.
   Thays hoje sofreu mais uma crise, e agora ela está no quarto dormindo, não sei por quanto tempo ela dormirá, o clonazepan dessa vez foi receitado em uma concentração maior, o perigo dessas drogas é a sua dependência física e psicológica  quando usado por um longo período. Enquanto isso, vou a cozinha arrumar as coisas por lá, de um tempo pra cá tenho me dedicado mais aos afazeres domésticos, e depois de organizar as coisas ligarei para o Dr. Hudson e relatarei o que houve. A impaciência já começa a se manifestar em mim, mas os créditos que deposito no meu amor por Thays ainda continuam firmes.
   Acho que estou reaprendendo a viver. Ela é uma verdadeira lição de luta e perseverança, nela vejo os altos e baixos que os acasos da vida nos proporciona todos os dias. Certamente, a minha vida com Thays está sendo a melhor escola que eu já tive a oportunidade de aprender.
   Quando chega a noite, mau consigo fechar os olhos e relaxar. Thays logo acorda e pronto, daí pra frente, não dá nem pra prever. Mas em tudo consigo ver um lado bom, chamo ela até a sala, sento no sofá e pesso que ela deite e apoie sua cabeça no meu colo, enquanto acaricio os seus cabelos e contorno o seu rosto com minhas mãos, ela me conta um dos sonhos que teve enquanto dormia.

_Fique calma Thays, não se preocupe, sonhos são apenas sonhos, não se incomode com isso. Baixei e beijei a sua testa, e ela rir.

_ Sim, acredito em você, se quiser ir dormir um pouco pode ir querido, eu fico aqui um pouco mais. Diz Thays já fechando os olhos e desmanchando o sorriso.

  ligo a tv e deixo o volume bem baixinho quase inaudível, e assim passamos o resto da noite, ela dormindo com a cabeça no meu colo e eu sentado no sofá.

Um Dia de Chuva
Ricardo Lima

Minha Amiga Solidão

  Hoje quem vai me consolar é a solidão. Estranho isso? Um pouco, mas até é confortável depois que se acostuma. Ela não te fere, nem te magoa. Óbvio que me sinto mal, mas e aí? Antes só do que mal acompanhado, certo? Pelo menos no escuro da solidão, sei que muito do que já passei com pessoas, não se repetirão.
  Você aprende a dar valor ao que tem quando se perde tudo, e o que eu tenho é a solidão. Então eu a valorizo, até porque, como diz em uma certa música: "Quem nasceu para ser solitário, precisa de muito tempo sozinho".

Para Você, Feito Sob Medida

  Eu esperei até o nascer do sol para que voltasse.
  Observei os pássaros voando, e a brisa da manhã balançando as folhas nas árvores. Uma ligação, um texto enorme, um beijo ou uma noite de amor não concertaria tudo. Um pedido de desculpas e uma prova do arrependimento, sim. Eu entendi uma coisa sobre o amor: Ele não dói. A forma como se utiliza o poder sobre ele, sim, machuca. E você machucou. E de tanto machucar, cansei de me arrastar até você. A distância do que faz mal é essencial para superar o fim de um capítulo da vida. Talvez eu me arrependa, e sei que no fundo vou querer voltar atrás. Mas está na hora de aceitar que não era para ser.
  Não tinhamos uma história; Tinhamos o começo de um texto, e nos apressamos demais para dar um fim. Agora é tarde demais. O amor foi engolido pela mágoa, e eu estou traçando meu próprio caminho, longe do seu, longe dos sonhos despedaçados e do tempo perdido, e principalmente: Longe de você.

Game Over

O tempo passa, e você vai crescendo. A vida te põe obstáculos, e você deve estar preparado para enfrentá-los.
  Você vai se apaixonar, e corre o risco de sofrer, mas relaxa, é normal. Às vezes se perde, outras se ganha.
  Você vai perder amigos por motivos fúteis, e ganhar novos na mesma facilidade com que se perdeu, e claro, vai descobrir que uma pessoa não pode substituir outra.
  Vai se sentir intimidado por seus inimigos, mas não fique; Enfrente-os, sem medo de perder. Os inimigos sabem muito sobre quem você é, e com eles pode-se aprender sobre sí mesmo, e assim crescer.
  Quando a dor for demais, não se desespere. Vai passar, demore um dia, uma semana, um mês, ou um ano. A dor passa, e você acaba nem percebendo. Sabe por quê? Você se acostuma a enfrentar todos esses problemas. O mundo não é um lugar ruim, as pessoas que nele vivem é que são o problema. Não se perca, não se renda. Arme-se com sua coragem e defenda-se com seu caráter, e eu te garanto: Você vai "zerar" o jogo que chamamos de vida.

Às Derrotas


      Algumas coisas até que posso relevar, é foda viver assim, sempre a esperar um fantasma vir nos assustar. Não posso ficar à janela, na espera do que eu sei que nunca vai chegar. É inútil, algumas razões fogem a lógica, e o que posso fazer em relação a isso que eu sinto, é apenas deixar que se perca no infinito. Não estou a entregar a vitória de mãos beijadas, para o bom guerreiro, saber a hora certa de retirar-se da linha de frente, não é nada humilhante. Isso se faz necessário, mostra que o guerreiro soube aceitar a derrota.
      Para muitos reconhecer a derrota é inútil, não serve pra nada. Mas eu sim, sei o que é ganhar e perder. As vezes prefiro a derrota, porque essas sim, eu jamais esquecerei. Quanto a glória da vitória, essa passa rápido, e o guerreiro se enche de orgulho e deixa de enxergar com humildade aqueles que lutaram ao seu lado.

      Não vou ser como um vento que corta do norte ao sul, vou ser como as águas de um rio corrente, cheio de perigos e obstáculos e assim, tentar ser mais feliz de hoje em diante.


Ricardo Lima
21 de Maio de 2015

Quando Você Voltar


Quando você voltar
Não diga nada
Apenas saiba que eu não partí
Não sei se fantasiei demais
Mas às vezes é assim mesmo
As coisas fogem ao nosso controle
Fiquei sim
Mas não para confirmar nada
Apenas queria ver até onde os nossos iam
Se alguém brincou com algum sentimento
Até que a brincadeira foi boa
Machucou sim
Mas os danos em nada se compararam com os meus estilhaços
Que hoje se encontram espalhados por aí
Não se arrependa de nada
Há sempre dois lados e um só culpado
Sempre é assim
Não vejo de outra forma
Em alguns anos talvez as feridas se fechem
Mas as marcas permanecerão por toda vida
Sempre a relembrar aquelas dores
Que por pouco não foram infinitas
Segue-se assim as feridas fechadas
Não as quero em mim
E jamais desejo a ti tamanha agonia
Vamos em frente
Mesmo que sigamos caminhos opostos
Ainda me sinto olhando na mesma direção


Ricardo Lima
Poesia Casual

Hora da Saudade

  Bip. Bip.
  Levanto ao som do despertador. Todo dia assim, seguindo uma rotina chata e tediosa. Olho para a cama de casal vazia, na esperança de que, no meio da noite, você tenha se deitado novamente ao meu lado. No entanto, como todas as vezes em que criei essa expectativa, tive que destruí-la, afinal, não é sempre que podemos voltar atrás, e mesmo que você pudesse, não tenho certeza se iria querer.
  Olho algumas fotos nossas, e aquele buraco se abre no meu peito. É impossível não ficar assim. Eu aprendi a sobreviver sem você, mas assumo, viver ao seu lado tornaria tudo muito mais fácil. Mas não posso parar minha vida. Não conquistei tudo que quero, e há muitas outras dores para sentir, e acredito que também haja muitas alegrias por vir. Prefiro deixar a vida me levar, como a maré leva um barquinho, sem rumo, sem direção, mas com objetivos, e mais ainda: Disposição para enfrentar o que tiver de enfrentar.

Quer ser minha amiga?

  Katarina havia acabado de se mudar com a mãe para aquele bairro. O motivo foi por causa da separação recente de seus pais. Quando chegaram, a jovem garota foi à uma daquelas tradicionais vendas em garagens. Logo que chegou a menina se encantou por um ursinho, apesar de ele não ter nada de especial, a não ser os olhos feitos com uma perfeição que impressionou até mesmo a mãe da garota.

- Mamãe compra para mim! - pediu a menina.
- Ah, querida. Você já tem doze anos, já está adulta, não precisa de bichinhos. - disse a mãe dela.

  Não teve conversa; Katarina estava disposta a fazer a birra que fosse necessária para levar o urso para casa, ainda mais depois que descobriu que se apertasse sua barriga ele dizia "Quer ser minha amiga?". Como a menina esperava, sua mãe cedeu e comprou o urso.
As duas foram para a casa nova e a organiram. A noite, com quase tudo já arrumado, sua mãe a chamou.

- Katarina! Sai do quarto e vem para a cozinha jantar! - gritou a mãe da menina.

  Katarina desceu, com a cabeça baixa. Estava meio quieta, mas a mãe achou que era por conta da mudança.

- Está tudo bem, meu amor? - perguntou a mãe de Katarina, enquanto colocava o prato se sopa da menina na mesa.
- Sim, está sim, mãe.

  As duas comiam em silêncio, até a menina cortá-lo.

- Mamãe, é verdade que você e o papai se separaram porque ele cansou da sua vagina?

Surpresa, a mãe da menina não respondeu de imediato.

- Katarina! Isso é jeito de se falar? Quem te disse isso? - repreendeu a mãe da garota.

  A menina abaixou a cabeça.

- Foi o Teddy, mamãe.
- Pois depois de comer, você e o Teddy estão de castigo. Direto para o quarto! - a mulher ordenou.

  Em silêncio seguiu o jantar, até que Katarina acabou de comer e subiu para o quarto.
Mais tarde, a mãe de Katarina foi ao quarto da menina.

- Filha, posso conversar com você? - perguntou a mulher, enquanto sentava na cama, ao lado do corpo da filha.
- Claro, mamãe.
- Não quero que diga mais aquelas coisas feias, está bem?

  A menina olhou para a cara da mãe.

- Foi o Teddy que disse, mamãe.
- Pois o Teddy não pode dizer essas coisas. E você também não. Agora vou deixá-la dormir. Boa noite, querida. Até amanhã, bons sonhos. - a mulher se curvou e beijou a testa da menina. Ao virar-se para ir embora, a menina a chamou.

- Mamãe? - chamou Katarina.
- Oi, filha.
- Teddy disse que vai nos matar.

  Novamente a mulher ficou estática com aquela informação.

- Boa noite, filha.

  Ao sair do quarto, desabou em lágrimas. Afinal, a separação tinha sido difícil, e agora sua filha podia estar desenvolvendo problemas psicológicos por não saber lidar com a situação.
  A mulher se preparava para dormir quando Katarina entrou no quarto, aos prantos.

- Mamãe! Me deixe dormir com você, Teddy disse que vai me matar! - a garota contou.
- Filha, Teddy é só um ursinho de pelúcia. Tudo isso está na sua imaginação. Agora vai descansar, amanhã resolvemos isso. Tudo bem? - disse a mãe de Katarina, já meio irritada com a situação.

  A menina não protestou, apenas foi para o quarto.

  A mulher acordou de madrugada, exatamente às 03:01 da manhã, ouvindo barulhos, no telhado. Ela se levantou e foi para a cozinha, beber água. Na volta, quando passava pelo quarto da filha, sentiu algo diferente; Um calafrio, uma sensação ruim. Lentamente se aproximou da cama da garota, e a beijou na testa. Estava gelada. Mas na verdade, o quarto todo estava. A mãe de Katarina voltou para o seu quarto e dormiu de novo.
Assim que levantou, tomou um banho e preparou o café. Quando o suco e as torradas estavam prontas chamou Katarina.

  E nada da garota aparecer.

  Não contente a mulher subiu no quarto.Teddy estava na ponta da cama, com aquele sorriso de urso de pelúcio no rosto, os olhos pareciam estar acompanhando os movimentos da mãe.

- Filha? - ela chamou.

  Nada da menina levantar.

- Katarina? Acorda! - disse ela se aproximando.

  Assim que chegou na cama, puxou o lençol, e imediatamente gritou.

  O corpo da menina estava banhado em sangue. A mulher não acreditava que a filha estava morta. Quando se virou para  ir embora, na parede ao lado da porta, escrito em sangue: "você é a próxima". A mulher em choque olhava da filha para a parede, sem nada a dizer. Então, para seu desespero, alguém disse algo atrás dela.

- Quer ser minha amiga? - Teddy perguntou, com a voz distorcida.

Uma Despedida a Mais

   O tempo que um beijo pode durar se esgotou e, embora, nenhum dos dois quisesse que aquele tempo se esgotasse, ele se foi. Era sim uma despedida, só não queríamos admitir.
   O vento balançou seus cabelos enquanto ela se afastava, começou a caminhar em direção aos nossos amigos. Sabia que aquela era a última imagem que teria dela.
   Em todas as despedidas eu sempre fui o forte, o que nunca olhou para trás enquanto caminhava, mas algo mudou. Felicity seguiu seu caminho e dessa vez quem olhou para trás fui eu.

 Uma despedida onde todos os sentimentos estão revelados supera a 
lembrança de todas as outras. 
Arrow 3X20 - a cena me emocionou tanto que precisei traduzi-la em palavras. 
- Meena Swan

Inocência

Capítulo três: Acontecimentos estranhos para uma noite de aniversário
Era três horas da tarde e Cassiana não parava de passear em frente ao meu quarto e eu sabia exatamente o que ela queria. Xinguei-me mentalmente por ter decidido não ter porta no meu quarto.
Meu pai não estava em casa, ele viajava muito. Não sei bem o que ele fazia mais quase sempre estava em lugares desconhecido. Desde que minha mãe morreu, ele não para mais em casa alegando está me protegendo.
Eu já tinha cansado de perguntar o que os dois escondiam de mim, porque nunca consegui esquecer o que minha mãe me disse antes de morrer.
... saiba que eu e seu pai tentamos te proteger de todas as formas...

Condenado a Amar

   Vivo condenado a amar um amor impossível. Um amor que nem ao menos posso revelar, ou mesmo sussurrar baixinho o que sinto. Já não sou o mesmo que antes, e tudo, por causa desse amor. Esse amor impossível, que insiste crescer cada dia mais. Sempre me pergunto, mas as respostas não vêm.
   Cansei, não quero mais viver assim, condenado a essa prisão sem fim. E se houvesse nela muros, talvez eu suportasse tamanha ausência. Mas o meu coração sufoca, o peito arde e o meu corpo pede. Talvez um dia eu venha esquecer, e esse amor se transforme apenas numa lembrança boa que passou, ou uma marca profunda e dolorosa, que por algum tempo latejaria e depois sarasse.
   Vivo condenado a um amor, mas amar não é dor. Amar é cultivar, querer bem e cuidar. A dor que eu sinto não é por amar demais, a dor que me consome, é a dor de querer mais.

Ricardo Lima

Eu não Queria Falar dos Meus Sonhos

   Bem, eu não queria falar de sonhos, mas vejo-me obrigado. Falar de sonhos para mim, é um pouco atormentador, uma vez que os vejo cada vez mais distante de mim. Parece que há um buraco negro entre eu e os meus sonhos, um buraco com uma força avassaladora, que não deixa escapar nada, nem mesmo um grãozinho de confiança escapa da sua força destruidora. Por isso volto a falar nas dificuldades que tenho em relação aos meus sonhos, que já não os sinto tão meus assim. Hoje tento reunir forças para sonhar novos sonhos e voar em direções mais plausíveis, quem sabe ainda posso ter alguma realização. Quem sabe ainda possa dá certo alguns dos meus planos, ou mesmo algumas das minhas idéias serem posta em pratica. Quem sabe mesmo né? Mas, nesse momento eu não posso afirmar nada. Não posso nem sequer arriscar algum palpite, nada mesmo. Vivo uma incógnita, uma matemática complicada e cheia de problemas. E mesmo assim, ainda vejo uma luz no fim do caminho. Vejo uma saída, ou uma melhor forma de conter as minhas dores.
   Pois bem, hoje entendi a perfeição da vida, entendi o quanto temos que ser imperfeitos e o quanto podemos errar. Levantar depois de um tombo, nao é apenas para os forte. Ninguém é tão fraco assim que não possa se levantar inúmeras vezes, tão fraco que não possa levantar uma mão e continuar andando. Ninguém, ninguém mesmo é tão fraco que não possa ir além de onde já estar. Dizem que o céu é o limite, mas há um erro nessa afirmação. O limite quem dá somos nós mesmo. E por isso, não só por hoje, mas por todo sempre, e o quanto durar a minha vida eu irei valorizar tudo que virá daqui pra frente.

Ricardo Lima

O que senti, sem ti

Agora,
Não sei o que sinto por ti.
Hoje, não senti nada;
Não olhei;
Não me desesperei;
Meu coração não disparou;
Não gritou;
Apenas observou.
Só tentava analisar o que sentia por você.
Por que sofria por você.
Estava ali;
Acompanhado, mas sozinho.
E sem querer
Meus olhos sempre me levavam aos seus.
Hoje, já não sei o porquê
Não sei se sinto,
Se não sinto.
Sei lá!
Nunca entendo as respostas deste coração despedaçado.
Lembro dos meus momentos.
Dos nossos momentos.
Mas ignoro.
E ao sair
Só levei comigo o seu desprezo.
Ignorei;
Não chorei;
Observei e agora escrevi:
Senti,
Sem ti,
Apenas sorri
E agora estou aqui.

@MarceloTea

A Floresta

  Decidi ir fazer trilha com dois amigos, John e Thales essa noite. Na realidade o que me chamou atenção foi o nome diferente do lugar. 
Algumas horas de caminhada, a lua brilhando cheia no céu, iluminando até o canto mais escuro da floresta. Ouço um uivo diferente: Forte, mais feroz do que o normal. Aquilo me arrepia, mas não deixo transparecer, afinal, o que pensariam de mim?
Mais alguns minutos andando e me sinto esquisito. Sinto como se estivesse sendo observado, e mais uma vez oculto isso. Algumas brincadeiras com meus amigos, e nos calamos rápidamente com o barulho de alguns galhos se quebrando. John, o mais velho de nós, se aproxima das arvores que estão na direção de onde veio o barulho.

- Q-quem está aí? O-olha, estamos armados. Não se aproximem! - Ele mente, com medo nítido em sua voz.
Mais um uivo, e então aconteceu.
Tão rápido quanto o grito que eu e Thales demos ao ver a criatura. Aquela coisa tinha cerca de dois metros de altura, pêlos cinza por todo corpo, olhos escuros, vazios. A primeira vista parecia um lobo exageradamente grande, mas quando ele se posicionou apenas em duas patas, nas traseiras, descobri que tinha selado o meu destino e o dos meus amigos.
- É um lobisomem! Sai daí, John! - gritei, saindo um pouco da paralisia que o medo causou.
John gritou e tentou correr, mas não foi rápido o suficiente. A criatura o agarrou pelas pernas e bateu com seu corpo no chão, o desmaiando. Não esperei para ver o que aconteceria com nosso amigo. Puxei Thales pelo braço, ele ainda aterrorizado com tudo aquilo.
  Mais alguns instantes correndo e então ouço aquele uivo de novo. A criatura estava vindo atrás de nós. Olho para trás na esperança de ver o monstro bem longe, mas essa esperança é cortada, vendo a criatura correndo velozmente em quatro patas na nossa direção.

- Mais rápido, se não não vamos conseguir! - diz Thales, como se eu não tivesse percebido.
  Lágrimas começam a escorrer dos meus olhos. O desespero e o medo no limite, de forma tão forte que eu podia me enxergar sendo ceifado pela Morte. Ouço um grito de terror atrás de mim. Imediamente deduzo o que aconteceu, mas continuo a correr. 
  Foram apenas mais alguns momentos correndo, até chegar nos limites da floresta. Invado a pista e paro o primeiro carro que vejo, me jogando na frente, o forçando freiar, e grito para que o motorista chame a policia. De longe ouço um uivo de lamento por ter perdido uma das vítimas, um uivo que eu tinha certeza que faria eu ter pesadelos por muitas e muitas noites, em toda a minha vida. Um uivo profundo, que vinha de dentro da Floresta do Lobisomem.

Mais Um Blá-Blá-Blá Apaixonado

  É incrível o quanto o tempo muda as pessoas. Até um ano atrás você era uma menina sonhadora, sem medo do mundo podre que tem lá fora. Sonhava com um conto de fadas, com um casamento feliz. Era uma pessoa doce, apaixonada, com certeza tudo que eu pedi para Deus quando eu ainda esperava a Sua ajuda. 
  Hoje olho para você e sinto tudo desmoronar. Aquela garota foi consumida pela imagem de uma pessoa tão diferente, tão... Suja. A garota que eu amei se assumiu a imagem do tipo de mulher que eu odeio. Existe decepção maior? Não sei. Ainda há muito o que eu viver. Mas eu talvez nunca me esqueça disso. Não sou o tipo perfeito, mas também nunca busquei perfeição. Eu queria um amor de verdade. Algo como antigamente: Que não se trocava quando quebrava, e sim, se uniam e concertavam tudo. 
  Nossos caminhos se separaram, nossos corações também. E agora só me resta escrever alguns textos melancólicos para lembrar de alguém que se perdeu no tempo, no próprio caminho, e na vida.

Já foi..

Já se foi eu sei, mas ficou aqui dentro. Não prossegui, parei no tempo e o tempo voou. Tudo mudou menos eu, já não sei, meu eu foi roubado com as memórias e lembranças e o que faço? Me ajude suplico em lágrimas, minhas lágrimas de verdade te alimentam junto com a esperança do eu que em mim havia. Não vejo nada, um buraco negro á minha volta me prende meu eu suplica me traga de volta já não sei quem sou, estou perdida me ajude. 
Dizeres atormentam minha cabeça, sentimentos me sufocam não quero isso. Quero meu eu, ele sabe de tudo. Socorro! Vingaste sua felicidade em minha face não me destrua já sofri o bastante. Não passa nunca só o que ficou foi amor e dele não vivo quero meu eu, o eu que era frieza e não sofria não havia dor além das dos outros deixe-me esgoísta me devolva meu eu, eu suplico. A vida já tem sido ingrata me tornando amor, deixe-me voltar meu eu amargo, suplico, a esperança me alimentava com a certeza de que não teria amor, só me dava a sensação momentânea de que teria amor. Devolva meu eu não suporto esse amor, não quero de forma alguma pensar que o meu eu seria amor. Não aguento, não faz bem! Estou presa em um buraco negro não vejo nada, só tenho medo. A solidão me alimenta estou começando um novo eu, preciso me fortalecer mas o amor tem me consumido, não perco a emoção quero razão e o amor me corrompe não aguento! Devolva meu eu, suplico e não to tentando forças é tarde o tempo mudou o amor venceu meu eu morreu um novo surgiu é vago mas só o que me lembro é que o buraco negro surgiu uma luz, o amor sorriu, o amor venceu meu eu morreu choro em lágrimas, sorrio me sentindo fraca e minha mente sussurra é tarde, muito tarde você perdeu. 

Só Lembro do Que não Provei

   De todos os lábios que eu já beijei, só sinto apenas o gosto daquele que não provei. Não dá pra entender como isso pode ser possível. Guardar um gosto daquilo que não se sentiu, isso me parece meio que improvável. Mas é isso mesmo que eu sinto, e é isso mesmo que me atormenta. De todos os olhares que eu já olhei bem de perto, há apenas um que eu nunca vi, e é o que eu sempre vejo quando fecho os meus olhos. E assim sigo sonhando, e assim persisto nos meus enganos.
   De vida em vida, não sei como me dividir, mas me parti em mil pedaços bem difíceis de juntar. E agora fico aqui partido e espalhado, esperando por mais um dia, ou um amanhecer mais ensolarado.


Ricardo Lima

O Fim de Tudo

  Mais um fim? Mais uma brincadeira do destino para me dar outra lição? Provável. Procurei você, mas não encontrei. 
  Olhei cada cômodo, revivendo os momentos que tivemos juntos neles, mas desta vez estou sozinho. Sentei no sofá com lágrimas nos olhos, pensando nos melhores momentos que tivemos ali. Você foi embora, e deixou algumas roupas no meu guarda-roupa, seu cheiro na nossa cama, sua voz me tranquilizando na minha memória e no meu coração a esperança de um dia recuperar o pedaço meu que foi junto com você.

A Execução

  O corredor longo e mal iluminado acaba na minha cela. Do outro lado, a população da cidade aguarda ansiosamente para o meu regresso.
  Os carceireiros abrem a cela, e me tiram pelos braços, me arrastando pelo corredor com cheiro pútrido. A luz do sol toma meu rosto e a população urra. Mais de cem pessoas estão ali para me ver. Dou um tchauzinho meio sem jeito, já que correntes prendem meus braços. As pessoas gritam mais, eufóricas, palavras como "Monstro", "Assassino" e outros elogios. Dou um sorriso de escárnio, e os guardas passam a me levar para uma espécie de palco, onde farei parte de um espetáculo. Lá, eles me colocam de joelhos, e começam finalmente o show.

- Jack McCail, você está sendo acusado e punido pelos crimes de assassinato de dezessete homens. Algo a dizer em sua defesa?
  Me perco em gargalhadas.
- Foram todos uns cornos filhos da puta. Mataria mais se tivesse a chance.
- Sendo assim, prossigamos com a sua punição.

  Os guardas me pegam pelo braço novamente e me arrastam para o centro do lugar, onde um quadrado como o de um porão, está localizado. Olho para todas aquelas pessoas erguendo os punhos, me fuzilando com o olhar. O guarda passa uma corda pelo meu pescoço e dá um nó forte.
- Quais são suas ultimas palavras? - O outro anuncia, com uma leve de satisfação na voz.
- Por que não pergunta para sua mãe se ela quer dizer algo?

  O guarda acena com a cabeça para o outro, que está segurando uma alavanca para cima. Vejo ele puxando-a para baixo, fazendo o chão se abrir e meu corpo tombar, me enforcando com a corda, e a ultima coisa que vejo são as pessoas comemorando enquanto a vida deixa meu corpo.

Sombria Confissão

  "Começo este relato pedindo desculpas à todas as familias que destrui. Sei que não há nada mais hipócrita e miserável o causador de vários grandes problemas apenas desculpar-se, mas é tudo que eu tenho agora. Estou dizendo isso por ter separado familias, abrindo buracos que nunca se fecharão, e agora eu sei o porque tudo para vocês foi tão doloroso. Lembranças passam sobre meus olhos, mostrando o grande monstro que fui há pouco tempo atrás. O assassinato daquele senhor da casa Nº 45, e o estrangulamento daquela travesti. Sei que não sou normal, mas confesso que gosto dessa diferença. O cheiro de sangue é bom. Matar me torna mais... Vivo. Mas agora não importa mais. Essas pessoas não voltam. Sinto que decepcionei alguém, alguém próximo. Provavelmente sim, havia alguém que nunca pensei em machucar. Não, essa pessoa não. Aprendi tarde demais que a consequência dos meus atos não só me prejudicaria. Mas prejudicaria laços que tinha com outras pessoas. Sei que é inacreditável, mas percebi tarde demais que no fundo do meu coração sombrio, teve um pouco de amor. Mas agora já não me resta mais nada. Decepcionei aquela que menos quis decepcionar. Aprendi tarde demais que o amor põe seu caráter e honra à prova todos os dias, e não há lugar na vida de alguém, pra uma pessoa que tirou a vida e a felicidade de outras. Talvez ela fique melhor sem mim. Talvez, quem sabe, ela encontre um homem de verdade. Não um filho da puta imbecil qualquer como eu. Um homem que a faça feliz. E que a conquiste todos os dias. Aprendi tarde demais que amar é por aquela pessoa a frente de suas vontades e sonhos. Sim, essa pessoa é mais importante. Não que sonhos não sejam, mas quando se ama, não adianta sonhar sem alguém para compartilhar suas vitórias e chorar junto nas derrotas. Nesse mundo só os fortes sobrevivem. Os fracos como eu, perdem a sanidade, enterrando seu caráter. Não tenho nada do que me orgulhar. A arte que dominei durante os anos que vivi infelizmente não é o tipo de arte que as pessoas consideram correta. Mas se na arte de matar há algo que aprendi, foi que nem um coração com amor, repele um projétil de uma calibre 38. À essa altura já estão chegando ao meu apartamento, pois já sabem quem cometeu os crimes. A policia é eficiente as vezes. Então que as trevas sejam expurgadas."

Memórias

   Na minha memória, ainda guardo bem viva as marcas do teu sorriso. E isso, sem falar na devastação que o teu olhar fez em mim. Os teus cabelos, o teu corpo, e até dos teus pés eu me lembro bem.
   Às vezes ouço as tuas gargalhadas dentro de mim, as linhas do teu rosto, eu sempre tento retraça-las com as minhas mãos voando pelo vazio.  Enfim, tudo me lembra o que você fazia quando estava por perto.
   Lembra dos dias de chuva em que andávamos juntos pelas calçadas tentando não molhar o nossos pés com a enxurrada? Era hilário, ríamos bastante. Realmente foram ótimos momentos.
   E hoje só nos restam as boas lembranças desses dias que passaram, e que de fato jamais se repetirão.


Memórias
Ricardo Lima

Minhas Companheiras

Andava sozinho por um caminho, um caminho que não andava ninguém, só eu e a solidão. Quase sempre a tristeza aparecia e sozinho eu nunca andava. Ficava de mãos dadas, a tristeza e a solidão.
A saudade as vezes aparecia, mas eu a ignorava, ou ao menos tentava, e ela nunca desaparecia. Ficava sempre por perto, a solidão e a tristeza, eu e a saudade.

Ricardo Lima

Mudança de Olhar

   Como todas as outras fotos que me enviaste, esta última também merece uma frase. Não revelando o que eu sinto, mas retratando a realidade que hoje vivo. Aprendi de uma forma meio absurda, porque antes eu te olhava como pessoa e hoje, pelo o que eu não sei o que houve te vejo agora como mulher.    Eu não quis isso, há coisas que fogem ao nosso controle e ao invés disso, preferi fechar um pouco os meus olhos. Sinto falta do que eu era antes de ti enxergar assim. Sei que as coisas mudam, tudo sempre muda, e sei que as mudanças são inevitáveis e que não podemos escolher o que queremos. Já me senti assim por outras vezes, e posso até dizer que já estou acostumado. Mais dessa vez é diferente, e perto do que você é nada pode ser normal. Um simples ponto se transforma em reticências num piscar de olhos e nunca chega a um fim. Se eu acreditasse em bruxas, você se encaixaria perfeitamente como uma delas.
  Agora descrevendo mentalmente como eu te enxergo, percebi uma pequena diferença entre a pessoa que tu és e a mulher como te vejo. Nada de ruim ou pejorativo, apenas uma observação.
"Hoje passei a admirar bem mais o teu lado mulher que o teu lado pessoa."


Ricardo Lima
Poesias Reais

Contra-golpe


Cemitério

"Nunca vá até um cemitério sozinho durante a madrugada".
Você já deve ter escutado ou lido isso muitas vezes.
Mas o que será que eles querem dizer?
Querem dizer que você corre um risco, corre o risco de se encontrar com um jovem. Jovem solitário de aparência triste e aspecto doente.
Ele é um homem jovem que vai falar com você docemente, se você permanecer em silêncio e for embora, ele vai continuar a incomodar você por um tempo, mas depois ele finalmente vai sair de seu caminho.
Se você responder...
Você pode tentar resistir ao seu charme, mas se você fizer contato visual, seu destino estará traçado.
Então, ele começa a fazer perguntas, elas podem parecer inocentes à primeira vista, como se ele estivesse realmente tentando conhecer você, mas depois de um tempo, as perguntas começam a ficar mais estranhas.
Ele vai começar a perguntar sobre temas assustadores, como a morte, ou o inferno.
O belo rapaz vai levá-lo até um túmulo e falar a seguinte frase:
"Quando os mortos andam sobre a terra, são os vivos que preenchem esse lugar", aconteça o que acontecer, não pergunte a causa da morte da pessoa no túmulo, caso contrário...
Você será o próximo!

Um Dia de Chuva


   Dois anos se passaram e pouca coisa mudou, ao menos Thays voltou a trabalhar. Agora, espero que seja apenas uma questão de tempo para que tudo volte ao normal. Saio do trabalho, e antes de pega-la resolvo passar numa lanchonete e tomar um suco ou mesmo um café. Até que eu poderia pega-la e sairmos juntos, mas... tem dessas coisas que resolvemos meio assim, sem pensar muito. Paro o carro e estaciono bem próximo a porta, desço e sigo em direção a lanchonete. Entro, me sento e peço um café, aproveitando que fazia um pouco de frio. A garçonete me traz o café e me pergunta se eu desejo mais alguma coisa, digo que não é agradeço pela gentileza e ela apenas responde com uma piscadela de olho.
   Enquanto tomo o café, penso em toda minha história com Thays. Antes éramos bem mais alegres e viajávamos bastante, planos de filhos e animais de estimação. Enfim, éramos felizes, não que agora não sejamos, mas essas adversidades estava me consumindo bastante. Não mais a mim, mas quanto Thays, essa sim estava bem mais debilitada que eu. A minha fé era enorme, e eu acreditava mesmo no fim de disso tudo. As vezes questionava o finais felizes das histórias infantis, mas nesse momento, era apenas isso que eu procurava.
Então, pego Thays no trabalho e sigo na direção de casa.


_ Olha ali. Diz Thays apontando o dedo em direção a uma loja que vende plantas. Pergunto se ela quer descer e ir até lá, ela diz que sim com um gesto bastante sutil e delicado. Então descemos, e lá eu comprei um jarro com Hortênsia azuis e outro com rosas.
   O olhar dela me disse tudo e com um beijo, ela então me agradeceu e assim eu tive a certeza que tudo estava voltando ao normal.


   Era uma manhã de fevereiro, se não me engano,  acho que era um dia de domingo. Eu tive que sair para resolver alguns problemas no trabalho. Quando saí, Thays tinha ficado no sofá sentada e lendo um livro. Ela gostava muito de Paulo Coelho e William Blake, eu não me ligava muito nesse negócio de livros, mas ela passava muito tempo lendo. No caminho, pensei muito em voltar e ficar em casa, mas eu não podia faltar nessa reunião. No decorrer da reunião, eu olhava o relógio constantemente, e não via a hora de sair dali e voltar pra casa.

   Quando todos os assuntos foram abordados e acertados, não contei conversa, me levantei, pedi licença e saí correndo da sala. No caminho de volta tentei ligar, mas ela não atendia, e isso apenas fazia a minha tensão aumentar cada vez mais. Finalmente chego, paro o carro e atravesso o jardim a passos apressados, abro a porta bem devagar. Dentro de casa é tudo silêncio, nenhum barulho além do vento e dos pássaros que cantam nos arredores. Na cozinha vejo uns potes de biscoito no chão e alguns talheres espalhados. Sigo até a sala, atravesso bem devagar, subo as escadas e o silêncio é perturbador. Entro no banheiro e nada, nenhum sinal que ela esteve ali. Sigo até o quarto, me aproximo da porta e giro a maçaneta bem devagar. Lá estava ela, deitada e dormindo, parecia um anjo. Me aproximei, beijei a sua testa e ela abriu os olhos e sorriu.


_ Oi amor, disse Thays. Deite-se aqui do meu lado e vamos aproveitar o resto do fim de semana!

Ricardo Lima

ricardo.lima46@gmail.com
Imgem: Google Imagens

Agradecimento

Caro senhores,

Venho por meio deste, agradecer a todos que fizeram parte de minha vida e de meus escritos.
Primeiramente tu, Tristeza, que nos momentos em que me acompanhastes fostes a mais bela e emocionante inspiração.
Saudades, tu também fostes à razão de eu agrupar de diversas formas as vinte e seis letras do alfabeto e me ensinastes que com cinco posso escrever a solução para tudo: t e m p o.
Solidão, acho que tu fostes a primeira. Sempre lembrarei da primeira vez que tu chegou e ficou. Lembra que tu me ajudaste com as primeiras rimas: “Tututi, tututa.”.
É... foram poucos os momentos que lembro de ti comigo, mas aqui também te agradeço. Ah, Felicidade, te aguardo mais vezes. Apareça!

Inocência


Capítulo dois: Qual o problema de ser solteira?

Dezembro de 2013

Baixei o rosto mais uma vez balançando a cabeça em um sinal negativo e de desaprovação. O som produzido pela a banda da escola estrondava meus ouvidos me deixando quase surda.
O conjunto de instrumentos de sopro e percussão estava em harmonia e alguns alunos, que faziam parte da banda, dançavam em uma coreografia quase impecável. Eu já tinha os vistos em apresentações e com certeza já foram melhores.
Mais eu não estava fazendo aquele gesto para eles, não mesmo. Acredito que as pessoas merecem um desconto, não é todos os dias que elas estão bem. Do outro lado da quadra um garoto do primeiro ano do ensino médio fazia chacota dos alunos dançarinos.

O Ladrão de Olhos

  Já se sentiu sendo observado?  Sentiu que algo não está certo? Eu também, e não dar importância foi o maior dos meus erros.

  Há cerca de dois anos atrás minha familia se mudou para uma casa no interior. Achávamos que encontraríamos tranquilidade, mas nos enganamos. Eu tinha dezoito anos naquela época, já tinha passado da idade de sentir medo do escuro. Minha primeira semana naquela nova cidadezinha foi normal, arrumei um amigo chamado Gustavo, um cara bem legal. Ele era meio estranho, mas legal. Um dia, um mês após minha mudança para essa cidade, fui convidado pelo meu amigo a dormir em sua casa. Aceitei e fomos logo depois da escola, parando apenas para eu pegar algumas roupas.
  Assim que chegamos, ele ligou o vídeo-game e colocou música para tocar. Passamos o dia assim, até o horário da janta. Depois fomos para o quarto, onde eu dormi no chão e ele na cama. Conversamos um pouco mas logo eu peguei no sono.
Acordei no meio da noite com um barulho. Como o de uma maçaneta sendo aberta, mas o quarto estava de porta trancada. Olhei em volta e não vi nada. Senti-me estranho, um calafrio percorreu meu corpo, sentia estar sendo observado, e pela primeira vez em anos o escuro me deu medo. Tentei dormir, mas cada vez que quase conseguia, ouvia um barulho. Algo estalando, sons vindo do telhado. Passei a noite em claro, e voltei para casa. Decidi não ir para a faculdade, já que não havia dormido. Cheguei em casa e deitei no sofá, onde acabei pegando no sono.
  No meu sonho, eu estava no quarto do meu amigo, mas ele não estava lá. A porta se abriu, e vi a silhueta de algo que não era humano. A criatura tinha cerca de dois metros, era esguio, e vestia uma espécie de capuz preto. Suas unhas eram compridas, e sua pele tinha um tom cinza. Não conseguia enxergar o rosto dele, pois o capuz tampava, e estava tudo escuro. A criatura sibilava algo que eu não compreendia. Ele cravou as unhas no meu braço, onde deixou cinco marcas, parecidas com pontos. Acordei assustado e suado, minha mãe estava na cozinha fazendo o almoço. Me levantei para tomar banho, mas quando passei pelo espelho e notei algo estranho. Havia cinco pontos no meu braço esquerdo, o mesmo que a criatura tocou. Aterrorizado, corri para o quarto e pesquisei na internet qualquer coisa relacionado à isso, e o que encontrei foi assustador. Havia um site dizendo sobre a lenda de uma criatura chamada de "O ladrão de olhos". Na lenda dizia que a criatura arrancava os olhos das vítimas para fins desconhecidos. Saí deste e entrei no de baixo, um site de lendas urbanas, e lá contava a história do monstro.

  "Carolina era uma garota anti social, e completamente louca. Não tinha amigos, vivia se isolando, lendo livros Wicca, e coisas relacionadas. Os colegas de classe faziam de tudo para irritá-la, mas apenas conseguiam um rápido olhar frio e sem vida, e então ela voltava a ler. Um dia, um homem meio bêbado, a viu na rua a noite, com uma roupa estranha, como a de um sacerdote, de cor preta,  com um capuz. Ele andou até a garota e a arrastou para um canto escuro, ela tentou fugir, mas o homem não deixou, e deu um soco nela. Ele abriu a roupa estranha da garota e tirou a roupa que ela vestia por baixo, e seguiu tirando a própria roupa. O homem a violentou sem dó alguma. Após o ato, ela foi morta a facadas, e encontrada sem os olhos. A policia investigando o caso achou evidências de que a garota fazia parte de uma seita. Seguia a religião Wicca e praticava magia negra com outras pessoas, incluindo sacrificios humanos. O caso foi encerrado quando o maníaco foi encontrado morto, e sem os olhos em seu apartamento. Mas dizem que a alma da garota continua atacando as pessoas, arrancando seus olhos."

  Bastou eu pesquisar mais e achar comentários de pessoas dizendo que conhecidos tiveram seus olhos arrancados do rosto para eu ficar completamente aterrorízado. Desliguei o computador e fui para a sala. Passei aquele dia inteiro tentando me distrair. Tomei muito café para não dormir. Quando anoiteceu, corri para a cama e deixei a luz ligada. Fiquei mexendo no celular e olhando para os lados para garantir, mas aos poucos o sono foi me vencendo, e eu infelizmente dormi.
  Acordei às três horas da manhã, com um barulho no andar de baixo da casa. Ouvi passos nas escadas ecoando no corredor. Arregalei meus olhos quando vi a maçaneta se virando. A temperatura caiu de repente, a porta se abriu lentamente, revelando a criatura que vi no meu sonho. Tentei gritar mas a voz não saía. Senti meu corpo estremecer. A criatura se aproximava, exatamente como no sonho. O monstro ergueu as mãos, puxando o capuz para trás. Comecei a chorar quando vi o seu rosto. O Ladrão de Olhos, para começar, não tinha olhos, seu rosto era todo desfigurado, o nariz fino e torto para baixo, sua boca de labios secos e finos, tinham alguns dentes pontudos e separados, sua pele era cinza assim como no sonho. Pisquei algumas vezes para acordar do pesadelo, mas aquilo era realidade. A criatura se aproximou, ergueu as mãos e tocou meu rosto. Foi a ultima coisa que vi, antes dos meus olhos serem arrancados por aquele monstro. Mas tenho certeza de uma coisa: Nunca vou esquecer o seu rosto.

Te Odeio

Eu te odeio, pelo simples fato de existir, pela atitude banal de seus pobres sentimentos. Pela misera sincronia fugaz vinda de ti. Pelo tempo roubado com palavras frageis. Eu te odeio pelo isolado momento de partida, pelo sorriso falso deixado ao lado. Pelos dias perdidos com momentos esquecidos. Pela gratificação nunca dita. Pelo pensamento roubado com palavras guardadas. Por lágrimas sofridas com dor e temperamento. Pela ciência exata que foi ignorada. Por conhecimento adquirido sem experiência vivida. Pelas falsas promessas que foram com pressa. Por sentindo recíproco desistido no inicio. Pela não luta por algo melhor. Pela incompetências de atos impensaveis sem nenhum tipo de esforço. Pelo tédio vivido e momentos bons perdidos. Pela mal agilidade da verdade. Pelos cumprimentos de suas mentiras. Pelo seu carater demonstrado no fim. 
Enfim eu te odeio é tudo que resta em mim.. 

A morte está mais próxima

A vida se torna um vazia. O tempo não me pertence mais. As causas, que antes tinha, já não tenho mais. No presente não vejo saída, no futuro não vejo salvação. A morte está mais próxima e não sei se irei agüentar mais um dia. Todas as tentativas frustradas, todas as decepções. Cada recordação que me chega, aumenta minha solidão. A angústia é maior que antes, mas menor do que a que eu espero amanhã. A transformação, espero todo dia. Mas demora e não vem. Minha tristeza continua. Purifica e contamina minhas emoções. Agora só sou confusão, abstração, insegurança. Só desejo mudança para viver mais um dia são.

Marcello Tea

Relato de um homem de "bom" coração

É impressionante como a dor te influencia de forma tão sorrateira. Eu sempre fui uma pessoa boa, não santa, mas boa. Do tipo carinhoso que demonstra tudo que sente, dos que se dobram de todas as formas para ajudar algum amigo. Não percebi no que estava me tornando. Me olho no espelho hoje e vejo uma pessoa totalmente diferente: Frio. Ressentido. Seco. Sem um pingo de remorso dos erros que comete. E o mais surpreendente é que não consigo voltar atrás, e nem quero. Talvez seja assim que se forma o Ciclo de Ódio. Um causa dor suficiente para o outro virar um monstro. E assim por diante, trazendo dor a todos. Um sentimento de vazio. Como se você estivesse em um buraco negro. Em um túnel sem saída.

Marcelo Fileno

Às vezes

Às vezes eu queria ser um pássaro e voar para longe, bem longe de tudo, onde só você poderia me encontrar.Às vezes gostaria de ser um peixe e nadar para o fundo do mar, onde só você ousaria explorar.Algumas vezes eu gostaria que você fosse o sol e eu a lua para a gente se encontrar.Mas em todas as vezes eu gostaria de ser o certo para você, e que você conseguisse me amar.

Marcelo Fileno

Um Dia de Chuva

UM SUSTO

Cheguei mais cedo, estava preocupado com ela, Thays tinha ficado sozinha em casa mais uma vez e não dava pra confiar muito nela, e logo no estado em que ela se encontrava. Para meu espanto, a porta estava trancada. Não pensei muito, peguei logo a minha chave que estava dentro da mochila e me apressei para entrar e logo ver como ela estava. Fui ao quarto, estava um pouco bagunçado e a cama desarrumada, até então tudo normal. Ouvi um barulho vindo da cozinha, parecia com gemidos, meu corpo todo arrepiou, meu coração gelou. _Não acredito, disse a mim mesmo. Pensei logo no pior. Quando cheguei, vi Thays encolhida perto da mesa segurando um pano de prato ensanguentado. Peguei em seu ombro e perguntei o que tinha acontecido. Para meu alívio ela tinha apenas cortado o dedo com uma faca, enquanto partia um pedaço de carne preparando o jantar.

Ricardo Lima
ricardo.lima46@gmail.com

Rótulos da Sociedade


    Às vezes me perco tentando entender os padrões de beleza impostas pela sociedade, e fica cada vez mais difícil pra mim. Não sei se o bom é ser gordo, se magro ou sarado. Não sei se o melhor é ser cabeludo ou com a cabeça raspada ou mesmo barbudo realmente eu não sei. Uma modelo magricela morre de anorexia, e um sarado morre de câncer no fígado ou então se submete a sessões de hemodiálise causadas pelo uso excessivo de anabolizantes. Isso é mesmo difícil de compreender e até mesmo como botamos assim nossa vida em risco por algo tão insignificante e sem valor, sabendo-se que a beleza externa é tão passageira quanto a nossa vida. É... O que eu sei é que as pessoas estão cada vez mais se esquecendo do que são, apenas para seguir padrões tolos impostos por uma sociedade que visa apenas fins consumistas e sem na verdade não terem preocupação alguma com o que realmente é necessário.

Flores da Morte


Uma moça estava muito doente e teve de ser internada em um hospital. 
Desenganada pelos médicos, a familia não queria que a moça soubesse o quão grave era seu estado. Sua familia ja havia avisado todos os seus amigos, exceto ela, e para todos quem ela perguntava qual era o seu quadro, todos disfarçavam, rodeavam e acabavam por não responder.
Cansada de não receber nenhuma resposta sobre a sua situação, durante uma oração ela pediu que lhe enviassem flores... 
Mas não queria qualquer flor, pediu rosas brancas caso fosse voltar para casa, rosas amarelas caso fosse ficar mais algum tempo no hospital e estivesse em estado grave, e rosas vermelhas caso estivesse proxima à sua morte, então adormeceu...

"Não me toque! Ou vai se arrepender!"

Quando completei 32 anos, fazia 2 anos que me formara em medicina. Só então me julgaram suficientemente qualificada para liderar um procedimento cirúrgico. O paciente era um cidadão que caíra de um desfiladeiro e por milagre ainda estava vivo.
Chegando à sala de cirurgia, eu, a cirurgiã principal, tive medo ao olhar o paciente. Aquele homem se parecia com um vilão de histórias em quadrinhos! "Poxa pra que mesmo que eu quis ser médica?" -pensei.
A cirurgia foi um suscesso . Mas no dia seguinte tive um pesadelo horrível com aquele homem. No meu sonho ele matava de forma horripilante, todos que tocassem seu corpo. Depois ele fazia um assado da pessoa e a comia todinha. Só deixava as orelhas que conservava em potes.

Inconstante


Tristeza. Essa palavra não combina comigo, pelo menos agora. Às vezes é melhor ficar de longe e apenas observar, pois alguns caminhos podem não ter volta. Até bem pouco tempo atrás eu poderia pensar diferente, mas hoje eu aprendi a sorrir melhor e olhar as relevancias da vida com mais naturalidade. Não sou mais de contemplar as estrelas que estão distantes de mim. Por outro lado, aprendi que a paciência pode ser um aliado bem interessante. Aprendi também que não só as palavras condenam, mas as atitudes são bem mais injustificáveis.
Nem sempre podemos participar efetivamente na vida de outrem. As vezes chegamos perto. Nos aproximamos, e por muitas vezes até perto demais. Outrora nada disso me fazia sentido, e hoje entendo plenamente os segredos e armadilhas do acaso. Não faço apologias aos erros, mas se não por culpa de alguns erros, não aprenderiamos de fato. Disseram que o sol nasce pra todos, mas são nas noites que encontro conforto e refúgio para poder seguir sem medo no dia que se segue.

Soneto de Felino Abandonado

Olá, sou mais um gato abandonado
Que desde cedo conviveu sem abrigo,
Que desde cedo conheceu o perigo.
Na rua da vida eu fui largado.

Você já deve ter me visto
Deitado por alguma calçada,
Fui entregue de mão beijada
Às ruas do imprevisto.

A fome já é de costume,
Aliada ao frio e o medo
Junto com uma triste alma.

O odor é meu melhor perfume,
Um perfume meio azedo
De perder toda a calma.


Vodka e Whisky Barato nunca mais

Hoje aproveitei e fiquei mais tempo na cama que o de costume. Na mente, uma vaga lembrança da noite que passou. No chão do quarto, as roupas espalhadas no chão, revelavam mais ou menos o que aconteceu.
Ressaca pós foda? Não sei! minha cabeça ardendo e meu corpo cansado me obrigam a passar várias horas sentado, apenas tentando lembrar completamente o que se passou. Então levanto, sinto-me meio tonto com a visão um pouco embaçada. Mas nada que um bom café não resolva. Aqueço a água, escaldo o coador e ponho o pó do café. Coloco um pouco de açúcar na xícara e derramo aos poucos a água sobre o pó já apreciando bem o aroma que escapa junto com fumaça que discipa-se no ar.

Um pouco (Muito pouco) das coisas que pensei no quarto branco dos sonhos.



Havia uma porta no canto do quarto branco.
E era a saída do sonho. Era o oposto de Alice.
Era o meu fim precoce. Era um sonho.
E eu sonhava demais.
Talvez fosse a chegada hora de recolocar os pés no chão.
E reerguer – me . E abandonar o luto e lutar (consiente).
E acreditar nas coisas que eu deveria acreditar.
E ser mais do que o meio. E ser meia sem escrúpulos.
Ser um pouco de Morgana. E ser a doce Patrícia.
E abrir os olhos para as ilusões de Napoleão.
Talvez a porta nem tivesse trancada.
E a realidade noturna fosse bem mais realizante.
Mas eu não sei abrir os olhos.
Não sei abandonar o casulo dos meus sonhos.
Apaguei a luz.
Voltei a dormir.

Gabriela Menezes