NÃO EXISTE UM FIM



Enquanto o mundo todo pede calma
As lembranças pesam numa balança
E as coisas que disseram jamais serão as mesmas
Não sou assim
Mas o mundo não perdoa
Os erros do passado sempre vêm à tona
E destroem bem mais que simples pensamentos

O que há de acontecer no mundo
Depois que todos forem embora
E não haver mais ninguém para culpar
Eu me pergunto isso a toda hora
E agora não sei o que eu faria

Ah... E se eu tivesse as armas nas minhas mãos
Acho que ainda faltariam palavras
E então e mundo não seria tão bonzinho assim

E se as coisas realmente não fossem bem assim
Eu acreditaria na vida da mesma forma que ela acredita em mim
E todo mundo cantaria
E as flores que estavam no jardim
Voltariam a exalar os seus perfumes

Enquanto o mundo pede calma
Eu quero apenas um abrigo
Não aquento mais viver na chuva
Sob todo este temporal

Dizem que a chuva sempre passa
E o sol volta a brilhar
Mas logo após tudo isso passar
Verei que as brincadeiras eram bem mais sérias
E que realmente não existe um fim

Não existe um fim...
Tudo é um recomeço


Ricardo Lima
Poesias & Canções

IMAGINAR

Melhor imaginar a vida doce e amarela que salgada com sabor de quero mais
Melhor imaginar a vida simples que composta e cheia de feridas
Melhor imaginar a vida como um sonho passageiro
Como uma flor plantada no campo que um buquê com hora marcada pra murchar
Melhor imaginar a vida assim mesmo
No agora porque o passado já morreu
Melhor imaginar a vida menos séria
Com mais humor e vontade de seguir sempre à frente
Melhor imaginar a vida alegremente mesmo que chorando estiver
Melhor imaginar e disfarçar as lágrimas com sorrisos
Que mascarar a dor e deixá-la envelhecer
Melhor de tudo é imaginar as coisas boas como eternas
Mesmo sabendo que daqui a um segundo tudo pode passar...


Ricardo Lima
Imaginar

IMAGINAR

Melhor imaginar a vida doce e amarela que salgada com sabor de quero mais
Melhor imaginar a vida simples que composta e cheia de feridas
Melhor imaginar a vida como um sonho passageiro
Como uma flor plantada no campo que um buquê com hora marcada pra murchar
Melhor imaginar a vida assim mesmo
No agora porque o passado já morreu
Melhor imaginar a vida menos séria
Com mais humor e vontade de seguir sempre à frente
Melhor imaginar a vida alegremente mesmo que chorando estiver
Melhor imaginar e disfarçar as lágrimas com sorrisos
Que mascarar a dor e deixá-la envelhecer
Melhor de tudo é imaginar as coisas boas como eternas
Mesmo sabendo que daqui a um segundo tudo pode passar...


Ricardo Lima
Imaginar

Eu e Ela

Ela queria tudo

E eu só tinha a mim mesmo para oferecer

Ela achava pouco

Mas esqueceu que o pouco era tudo que eu tinha

Ela me deixou partir

Eu prometi não mais voltar

Seguimos caminhos diferentes

Eu só tinha os meus sonhos

Sei que não eram muitos

Porém o essencial pra eu ser feliz

Ela tinha suas vontades

E sempre queria mais

Ela também tinha sonhos

Mas não acreditava

Achava que não eram suficientes

E não notava que o muito era tão pouco pra viver

Eu quis ir além

E por teimosia consegui chegar

Ela apenas quis estacionar

E ainda hoje está lá

E eu que não queria voltar

Voltei e estou feliz

Ela pode ser feliz também

Espero que seja

Por ela eu fui e voltei

Agradeço por ter me deixado ir

Mas queria que ela também estivesse aqui


Ricardo Lima

Confissão

...Por isso confesso.

   Tenho apenas a lua como testemunha das claras noites em vão, das canções antigas que eu costumo ouvir quando estou triste, e de algumas notas que arrisco tirar no violão. Mesmo sem encontrar sentido, arrisco-me puxar algum assunto bobo, uma figurinha ou algum outro assunto tolo, mas sinto falta daquela sintonia que mesmo sem fazer sentido, me fazia sentir, e eu sentia muito.

   Arrisco alguns esforços para seguir no mesmo caminho, mas no meu céu já não há estrelas, já não é mais tão claro, já não há luar que me apaixone novamente...

   O meu fraco ainda é o chocolate, e não sei quando irei me recuperar. Os sonhos que eu sonhava sozinho, as dores que eu sentia, os raros momentos de lucidez, estes sim me farão falta. Volto a lembrar do chocolate, da lua cheia próximo a escorpião, e dos infernos astrais que me assolam. Sei que eu não deveria confessar assim. Mas dentro das expectativas e dos meios termos que evito usar, vi o quanto a sinceridade é dolorosa.

   As correntes me prenderam muito mais que eu imaginava. O vento, hoje em dia, me traz o perfume teu que eu nunca senti... sinto que talvez eu deveria ter errado mais, me arriscado mais, e me policiado menos. Sei o que pensas a meu respeito, mas já aceitei tais condições absurdas e fico quieto, sozinho aqui no meu canto e nas palavras vazias que hoje me tornaram menos confuso, menos sonhador e mais centrado em mim mesmo.

   O agora pra mim, é um sempre que acaba daqui a dois minutos. O agora pra mim, é o orgasmo que dura só alguns segundos, e satisfaz uma boa noite sono; sem sonhos; sem culpas e sem perdão. O agora é simplesmente o agora, apático e anáfono. Sem fome e como o céu azul totalmente sem nuvens, desnudo o ardendo na pele.

   Por isso confesso...

   E assim meio confuso abro mão dos chocolates, das noites de lua cheia, das constelações do zodíaco e de uma parte generosa de mim mesmo.