Inocência



Capítulo um: Lembrança ruim


Julho de 2010




Meus olhos se certificaram, o professor estava certo. Como eu não percebi que as horas passaram tão rápido? Surpresa, eu me levantei da carteira. Era nove e meia da noite e minha aula de hardware tinha chegado ao fim.
Catorze alunos e eu era a única mulher da turma. Recebia mais atenção do que desejava, se eu estava ali é porque queria estar ali. Uma característica forte em mim é que sou decidida. Gostava daquela área da informática.
Tinha feito uma prova final, eletrônica básica, um módulo que muitos julgavam não ser para a mulher. Ri internamente quando um homem da turma jogou em cima da minha carteira as respostas junto com os cálculos das questões da prova, mas eu já á tinha terminado.

21 horas e 20 minutos

   Mais uma noite, nada a mais.

  Eu aqui sentado olhando e conversando com as estrelas. Traduzindo as minhas prisões e me trancafiando cada fez mais no fundo desse abismo que eu mesmo cavei por todos esses dias.


   Olhando o céu limpo e cor de breu, acompanho a dança das estrelas com muita atenção. Chego a invejar as corujas que sobrevoam em busca de alimentos, simplesmente por elas voarem bem mais próxima das constelações. Sim eu sei, parece loucura, mas não me importo. Tudo é relativo e depende de um ponto vista.

   Seria bom se eu me apaixonasse por você, só assim eu levaria a vida bem mais a sério. Não que eu esteja preparado pra sorrir, mas na verdade, a vida já não é mesmo uma piada.


Ricardo Lima

Visão Oposta

As vezes penso ser o que não sou
Então me olho no espelho
E tenho a certeza que eu existo
E ao mesmo tempo em que eu me vejo chorar
Tenho cada vez mais certeza do meu sorriso...
Faço da vida
O que a vida não faz de mim
A tristeza existe sim
Mas a felicidade há de ser muito maior...

Ricardo Lima

Inocência - Prólogo


O novo cenário não parecia nem um pouco com céu costumeiro, não chegava nem perto do ambiente proporcionado pela a mente humana. Ninguém nunca poderia imaginar que uma batalha poderia ser travada bem ali, no ar, entre as nuvens fofinhas e brancas.
O azul celeste foi substituído por uma cor escura quase tonalizando o preto. Uma nevoa densa cobria até os calcanhares dos participantes.
Michael lutava bravamente. Se pudesse soar estaria banhado pelo o líquido, seu punho era firme ao mover a espada desembainhada, os movimentos precisos. Ele precisava ter cuidado. Um movimento em falso, um instante de atraso e seria o fim.
Ele sempre ria quando se lembrava da crença humana, sempre gargalhava quando sua mente o fazia recordar dos humanos. A fé deles em seres celestiais era tão convicta que acreditavam que anjos eram imortais. Nada pode ser invencível, tudo tem um ponto fraco, qualquer coisa que viva no céu, Terra ou até mesmo no inferno.
Imortalidade. Essa palavra não existia realmente para nenhuma criatura. Um anjo, por exemplo, ferido no lugar certo a morte então seria seu próximo destino.
Michael se defendeu com sua espada e um som angustiante ecoou pelo o lugar. Usou toda sua força para arrancar a arma da mão do oponente então o deixou inconsciente enquanto avançou em direção ao santuário.
Uma parte dele se sentiu tão humano. Sentia-se tão furioso por ter sido traído que tudo que conseguia desejar era em pôr as mãos sobre o traidor, mas nenhum dos anjos fazia ideia de quem pudesse ter a coragem de tal ato.
Não foi à toa que Michael foi nomeado o anjo guardião dos portões do inferno. Um cargo tão importante não podia ser de qualquer anjinho, afinal, o ser celestial com tal responsabilidade teria que ser esperto, forte, determinado e muito inteligente, pois teria que cuidar para que a magia, o mal que habitava ali, não fosse roubado.
Muitos cobiçavam o poder que no inferno era guardado e os portões nunca podiam estar desprotegidos e nunca estavam. Michael era bom em seu trabalho, no entanto, alguém habilidoso e que tinha a confiança de todos conseguiu roubar o poder maligno, mas como eu já disse, Michael era bom em seu trabalho.
Ele recuperou as forças do mal e a escondeu em um lugar seguro, onde só ele tivesse acesso, onde pensou que ninguém nunca encontraria. Foi então que descobriu que metade dos anjos tinham sidos corrompidos por promessas falsas de alguém que eles protegiam com lealdade, obedientes transformaram o céu em um campo de batalha, precisavam recuperar o que perderam.
Michael conseguiu chegar ao santuário, suas intenções eram puras, desejavam o bem então foi bem-vindo. Ali ele estaria seguro só não tinha certeza por quanto tempo, mas Michael tinha uma solução. Ela não duraria para sempre, mas pelo menos atrasaria os anjos caídos.
- Haziel! – Ele gritou alarmado e muito apressado.
- Michael. Pensei que a essa altura você já estivesse morto, é bom ver que não.
O anjo guardião tinha um dom especial. Um que nenhum outro anjo possuía. Michael sabia quando alguém estava mentindo e se sentiu aliviado ao saber que seu grande amigo não tinha se corrompido junto a tantos.
- Eu também. Está vivo é ótimo.
Os anjos rebeldes bateram com força contra a porta o fazendo relembrar o que tinha o levado até Haziel.
- Você tem uma solução, não é mesmo? O que tenho que fazer – Haziel perguntou apreensivo.
- Arranque minhas memórias. Agora!
- O quê? Arrancar suas memórias não ajudará em nada.
- Ajudará sim, porque eu não vou ficar aqui. Eu vou descer.
O arcanjo arregalou os olhos.
- Não pode fazer isso. Se você descer sabe que as chances de se corromper são muito maiores.
- É o único jeito deles não acharem as forças do mal que eu escondi.
- Enlouqueceu? Ainda assim isso não vale seu sacrifício!
- É lógico que vale porque você vai me ajudar.
- Ajudar? Como?
- Ficará com minhas memórias e quando perceber que não há para onde correr, que enfim chegará a hora de tudo se resolver, você devolverá minhas memórias. 
- É um plano arriscado.
- É melhor do que ver a Terra tomada pelas as forças do mal.
Haziel ponderou a situação por alguns segundos e chegou à conclusão que o plano de Michael era a melhor saída.
- Tudo bem. Onde você descerá? – O olhar de Michael pedia compreensão e o arcanjo arregalou os olhos – Não pode envolver ela nisso!
- Ela já foi envolvida no dia em que a salvei. Ela tem a marca do receptáculo. Está atolada até o pescoço só não sabe disso. É melhor que eu chegue antes deles, não é mesmo?
- Como se fosse fazer diferença. Estará sem memória.
Michael sorriu de lado.
- Não se preocupe só faça o que estou pedindo.
- Ok. Mais se isso der errado você arcará com as consequências. – Haziel suspirou – Pronto?
- Sim!
O arcanjo estalou sua mão na testa de Michael e iniciou o processo. Pouco a pouco ele foi quebrando cada fio de lembrança e o arrancado. Todas as lembranças eram movidas para um saquinho mágico. Logo nenhuma memória sobrou, todas estavam guardadas no objeto que Haziel protegeria com a vida.
Lentamente ele tirou a mão da cabeça do amigo vendo seu olhar confuso e perdido. Ele sorriu de forma sincera ao olhar para o anjo que estava preste a entrar em pânico.
- Boa sorte Michael.
Então o empurrou lá do alto se certificando que ele desceria no lugar certo e na hora certa. O grito de Michael foi alto enquanto ele via a figura do homem com suas enormes asas ficar cada vez menor.

Sua mente estava muito confusa com o que tinha acabado de acontecer, porém, algo que ressonava dentro dele o avisava de que era só o início de algo que estaria muito longe de acabar.

Você não faz a menor ideia do que acontece ao seu redor.

Páginas em Branco

Com tudo que vem acontecendo hoje resolvi mudar
Estou aprendendo a enxergar com meu próprio olhar
Sei que ainda não falo por si só
Mas acho que estou no caminho certo
Nem sempre faço a coisa certa
Mas sei que o correto é permanecer na dúvida
Já errei muito, já deixei muita página em branco.
Agora vou escrever minha própria estória

Agora vou querer ficar mais perto de mim mesmo
E depois que eu apagar a luz
Vou saber o que realmente fiz da vida
Ou o que a vida fez de mim...

Paginas em branco não deixo mais
Posso até escrever meio borrado
Mas saberei o que realmente quis dizer
Mesmo esquecendo o que já fiz

O que eu já disse, não digo mais.
Não vou repetir o mesmo erro
Ainda sendo errado admitir o que passou
Sinto a sua falta, eu sei...
Mas o seu olhar pra mim
É uma lembrança boa que passou.

Não gosto de viver o passado
Mas na verdade acho que você nunca passou
Não vou deixar que o tempo apague nossa historia
Como as areias do deserto cobrem os rastros
Mas sim deixar o que for acontecer.

Um dia vou poder olhar pra trás
E sorrir das coisas bobas que pensamos juntos
E no mesmo dia poderei descansar minha cabeça
Sabendo que um dia tivemos tempo p’ra deixar tudo no lugar...

Ricardo Lima

Criador sem criatura

Tudo bem ?
Você lembra de Bolota vesgo ? Não ! talvez seja um outro nome esquisito que você costumava chamar o Valdenor. Carcaça,tracajáu,cabeça de arromba navio, emfim eram tantos nomes, mas um você há de lembrar. As brincadeiras de mau gosto eram as mais terríveis,lembra da vez que você folgou os freios da  bicicleta ? ele se espatifou no muro,quebro um dente e ficou mais feio ainda, você ganhou a maior moral com a turma da 4ª serie, teve outra em que você colocou uma especie de purgante no lanche,ele vomitou por dias a ponto de guardar todo o dinheiro que a família dava,sabes lá onde, mas não comprava lanches. a Ultima brincadeira foi demais. Você liderando a turma da 5ª serie, o trancou no banheiro do colégio, usaram os extintores de incêndio e fizeram uma especie de cortina de fumaça, o cara passou mal,foi internado e o resultado disso foi cegueira no olho esquerdo. Pronto isso foi o fim, a família teve que tirar lo do colégio  e você ficou sem seu monstrinho .

Solidão, que nada!


Autêntico


   Antes eu sorria bastante para não chorar. Hoje chegou um momento que não posso mais falsificar os meus sorrisos e as lágrimas já passaram a ser uma grande companheira nos meus dias. Não quero o dó de ninguém, muito menos a compaixão. Só quero ser o que eu sempre fui, só que agora com muito mais feridas que antes.
   Estou ferido, coração partido ao meio. Milhares de cacos espalhados pela sala, e as minhas máscaras dos falsos sorrisos caíram, minha cara agora é autêntica. E de pouco adianta beber e encher a cara, todos sabem que isso não adianta e só faz piorar a alma.
   E quando tudo estava mais ou menos calmo, vem o vizinho e bota "hole in my soul" pra tocar...

Ricardo Lima

Razões e Emoções

   Querendo ficar, eu parti. Deixei meu sonho para trás e segui em frente, mãos nos bolsos e um chapéu na cabeça. Nem sequer olhei para trás, não deixei nada ali que eu quisesse de verdade, eu só queria sair dali. Agora tento partir em busca de outros sonhos, nem que pra isso eu tenha que voltar a dormir novamente. Arrumar a alma é um desafio gigantesco, não é como arrumar a bagunça do quarto, que precisamos apenas de vassoura, rodo e pano de chão.
   Nem sempre consigo me organizar dentro de mim mesmo, e sinto necessário uma boa organizada no meu próprio interior. As vezes a vontade de viajar pra bem distante é grande, por outra a necessidade de ficar me faz refletir e pensar melhor. Não tenho sensação de que estou fugindo, mas sim me preservando de uma dor mais intensa. Fugir não é uma saída inteligente, ficar por perto por falta de desejo também não. Fingir não me importar com a forma que me ignoram, me chateia demais. Aliás, eu não vou me abater e nem me abster dos meus desejos, uma vez que já deixei para trás um dos meus maiores sonhos.
Olhos negros como uma noite sem luar
Palavras ditas ao ventoMeu corpo estremece ao te ver se afastarAngustia invade meu pensamentoVocê se retirouda minha vidaNão conseguiu suportar minhas frustrações Me deixou sem saída Condicionada à ilusões E agora o que eu faço?Com aquela música que eu fiz para você?Aquela que diz que jamais desataria o laçoE jamais conseguiria te esquecer!As lembraças machucam mais que a ausênciaElas me fazem saber que foi real E por alguma razao perdeu a essência...O que eu fiz pra te perder?Talvez foi algo que eu nao fizE te fez nao mais me quererTalvez meu defeitoFoi esse meu jeito...Agora não faz diferença, você já foi embora.



Joelma Heiligen

Conto Urbano I ( fictício )

Ano de 1977, eu já com quinze anos, atrasadíssimo nos estudos ainda cursando a quinta serie. Estudava no Colégio Municipal Padre Luis Palmeiras, na cidade de Simões Bª. Não só eu! Uma "reca" de garotos da mesa idade tentava ali o melhor oferecido pelos pais pauperismos.

Lá eu conheci Cicero. Um garoto que veio do Ceará com pai e mãe para trabalhar na casa do chefe da estação da leste. Garoto difícil de se dar. Tinha estatura mediana, olhos negros e bem vivo, o cabelo era de dar inveja a qualquer espiga de milho colhida fora da época. Roupas bem polidas, pois a mãe tinha um cuidado sem fim com o filho único e o chamava carinhosamente de: Belo. Cicero era calado, tava sempre no mundo da lua, não prestava atenção nos dizeres da professora e quase nunca reuni-se com a turma para uma resenha. Mas mesmo assim chamou a atenção de Aidê. Uma garota a frente de seu tempo, mais conhecida por nota 4 (na época as letras AI representava as notas de 0 a 4), esperta, risonha e que a todos cativava com sua graça e sagacidade. Foi causa da admiração de todos vê-la desfilando com Cicero quadra afora na hora do recreio e passou a ser comum os dois passeando pelos trilhos ao fundo do mercado um lugar bom para namorar.

O professor e a bailarina

Tinham amigos em comum. Tudo começou numa festa desses amigos, foram apresentados um para o outro, se deram bem. Conversa vai, conversa vem, trocaram número de celular, se tornaram amigos. Sempre se encontravam quando podiam, jogavam conversa fora, um sempre estava pronto para ajudar o outro quando precisasse. Algo estava mudando dentro deles, um sentimento novo estava surgindo. O professor e a bailarina se apaixonaram. Em um dos encontros decidiram se abrir e um falou para o outro o que estava sentindo, o sentimento era mútuo, desse dia em diante passaram de amigos para namorados. Esse namoro durou anos. No dia do seu aniversário de 8 anos, ele tomou coragem e a pediu em casamento, ela muito emocionada com um beijo disse sim. O professor e a bailarina estão noivos. Começaram a planejar o casamento, ele e ela estavam bem felizes. No dia do matrimônio, tudo ocorreu conforme o planejado, estava magnífico a organização da festa, tudo como ela planejou. Esse é o começo de uma nova etapa na vida deles.
Danielle Mauricio

Olhares Férteis

Um olhar teatral demais pra acreditar. Ainda somos os mesmos? Sim, por mim eu posso falar. E você o que diz? Mesmo que ainda haja tempo, eu acredito nas pessoas, acredito nas mudanças até por elas serem inevitáveis e necessária. Os corações as vezes se enganam, mas o que seriam dos acertos sem os erros que cometemos? Aprendemos sempre da pior forma possível, pelo menos é o que eu percebo... Vamos sair das nossas rotinas e viver um pouco mais. Daremos razões ao que parece incerto, e faremos o que bem entender. E que jamais sejamos irresponsáveis, façamos da vida uma brincadeira de criança, doce e inocente.
Ricardo Lima

Um último grito de amor

É inútil ficar dias de luto por um amor que nunca existiu, mas não posso evitar sangrar quando eu me machuco. Pergunto-me todos os dias, será que você sofre tanto quanto eu? Será que só eu sou fraca? Talvez a dramaticidade faça parte de mim, o drama colore a vida, mesmo que seja com pingos pretos que caem como as lágrimas de um dia melancólico, o drama traz o sentimento à vida, e às vezes é necessário sofrer para nos lembrar de que ainda estamos vivos. E enquanto eu viver vou sentir, vou sofrer e vou escrever sobre o quanto você me faz ficar dramática, porque foi tudo que me restou. Enquanto você estiver presente em cada estrofe do meu dia, vou me sentir mais próxima de você novamente. Por muito tempo as palavras me transbordaram, me sufocaram enquanto o papel continuava em branco. Agora que a maior tempestade se foi, posso dizer que tenho aprendido a conviver com a dor diária, talvez ela seja a única coisa que ainda posso dizer que sinto. Na minha cabeça só restam memórias, tua voz ecoando como grito nos meus ouvidos, todas as palavras que para você não significaram nada,