O novo cenário não
parecia nem um pouco com céu costumeiro, não chegava nem perto do ambiente
proporcionado pela a mente humana. Ninguém nunca poderia imaginar que uma batalha
poderia ser travada bem ali, no ar, entre as nuvens fofinhas e brancas.
O azul celeste foi
substituído por uma cor escura quase tonalizando o preto. Uma nevoa densa
cobria até os calcanhares dos participantes.
Michael lutava
bravamente. Se pudesse soar estaria banhado pelo o líquido, seu punho era firme
ao mover a espada desembainhada, os movimentos precisos. Ele precisava ter
cuidado. Um movimento em falso, um instante de atraso e seria o fim.
Ele sempre ria quando se
lembrava da crença humana, sempre gargalhava quando sua mente o fazia recordar
dos humanos. A fé deles em seres celestiais era tão convicta que acreditavam
que anjos eram imortais. Nada pode ser invencível, tudo tem um ponto fraco,
qualquer coisa que viva no céu, Terra ou até mesmo no inferno.
Imortalidade. Essa
palavra não existia realmente para nenhuma criatura. Um anjo, por exemplo,
ferido no lugar certo a morte então seria seu próximo destino.
Michael se defendeu com
sua espada e um som angustiante ecoou pelo o lugar. Usou toda sua força para
arrancar a arma da mão do oponente então o deixou inconsciente enquanto avançou
em direção ao santuário.
Uma parte dele se sentiu
tão humano. Sentia-se tão furioso por ter sido traído que tudo que conseguia desejar
era em pôr as mãos sobre o traidor, mas nenhum dos anjos fazia ideia de quem
pudesse ter a coragem de tal ato.
Não foi à toa que Michael
foi nomeado o anjo guardião dos portões do inferno. Um cargo tão importante não
podia ser de qualquer anjinho, afinal, o ser celestial com tal responsabilidade
teria que ser esperto, forte, determinado e muito inteligente, pois teria que
cuidar para que a magia, o mal que habitava ali, não fosse roubado.
Muitos cobiçavam o poder
que no inferno era guardado e os portões nunca podiam estar desprotegidos e
nunca estavam. Michael era bom em seu trabalho, no entanto, alguém habilidoso e
que tinha a confiança de todos conseguiu roubar o poder maligno, mas como eu já
disse, Michael era bom em seu trabalho.
Ele recuperou as forças
do mal e a escondeu em um lugar seguro, onde só ele tivesse acesso, onde pensou
que ninguém nunca encontraria. Foi então que descobriu que metade dos anjos
tinham sidos corrompidos por promessas falsas de alguém que eles protegiam com
lealdade, obedientes transformaram o céu em um campo de batalha, precisavam
recuperar o que perderam.
Michael conseguiu chegar ao
santuário, suas intenções eram puras, desejavam o bem então foi bem-vindo. Ali
ele estaria seguro só não tinha certeza por quanto tempo, mas Michael tinha uma
solução. Ela não duraria para sempre, mas pelo menos atrasaria os anjos caídos.
- Haziel! – Ele gritou
alarmado e muito apressado.
- Michael. Pensei que a
essa altura você já estivesse morto, é bom ver que não.
O anjo guardião tinha um
dom especial. Um que nenhum outro anjo possuía. Michael sabia quando alguém
estava mentindo e se sentiu aliviado ao saber que seu grande amigo não tinha se
corrompido junto a tantos.
- Eu também. Está vivo é
ótimo.
Os anjos rebeldes bateram
com força contra a porta o fazendo relembrar o que tinha o levado até Haziel.
- Você tem uma solução,
não é mesmo? O que tenho que fazer – Haziel perguntou apreensivo.
- Arranque minhas
memórias. Agora!
- O quê? Arrancar suas
memórias não ajudará em nada.
- Ajudará sim, porque eu
não vou ficar aqui. Eu vou descer.
O arcanjo arregalou os
olhos.
- Não pode fazer isso. Se
você descer sabe que as chances de se corromper são muito maiores.
- É o único jeito deles
não acharem as forças do mal que eu escondi.
- Enlouqueceu? Ainda
assim isso não vale seu sacrifício!
- É lógico que vale
porque você vai me ajudar.
- Ajudar? Como?
- Ficará com minhas
memórias e quando perceber que não há para onde correr, que enfim chegará a
hora de tudo se resolver, você devolverá minhas memórias.
- É um plano arriscado.
- É melhor do que ver a
Terra tomada pelas as forças do mal.
Haziel ponderou a
situação por alguns segundos e chegou à conclusão que o plano de Michael era a
melhor saída.
- Tudo bem. Onde você
descerá? – O olhar de Michael pedia compreensão e o arcanjo arregalou os olhos
– Não pode envolver ela nisso!
- Ela já foi envolvida no
dia em que a salvei. Ela tem a marca do receptáculo. Está atolada até o pescoço
só não sabe disso. É melhor que eu chegue antes deles, não é mesmo?
- Como se fosse fazer
diferença. Estará sem memória.
Michael sorriu de lado.
- Não se preocupe só faça
o que estou pedindo.
- Ok. Mais se isso der
errado você arcará com as consequências. – Haziel suspirou – Pronto?
- Sim!
O arcanjo estalou sua mão
na testa de Michael e iniciou o processo. Pouco a pouco ele foi quebrando cada
fio de lembrança e o arrancado. Todas as lembranças eram movidas para um
saquinho mágico. Logo nenhuma memória sobrou, todas estavam guardadas no objeto
que Haziel protegeria com a vida.
Lentamente ele tirou a
mão da cabeça do amigo vendo seu olhar confuso e perdido. Ele sorriu de forma
sincera ao olhar para o anjo que estava preste a entrar em pânico.
- Boa sorte Michael.
Então o empurrou lá do
alto se certificando que ele desceria no lugar certo e na hora certa. O grito
de Michael foi alto enquanto ele via a figura do homem com suas enormes asas
ficar cada vez menor.
Sua mente estava muito
confusa com o que tinha acabado de acontecer, porém, algo que ressonava dentro
dele o avisava de que era só o início de algo que estaria muito longe de
acabar.
Você não faz a menor ideia do que acontece ao seu redor.