Meus Defeitos

   Meu defeito é pensar demais, mas o que seria de mim, se não fosse os meus pensamentos. Às vezes corro demais, por outras paro, e assim vou seguindo na vida.
   Meu defeito é amar, mas o que seria de mim sem o amor que eu sinto? Sempre imagino um lugar, lugar que jamais poderei estar. Isso pode parecer perturbador, porém são essas coisas que me dão as forças necessárias para seguir no dia a dia.
   Meu defeito é não chorar, entre muitos outros. Prefiro observar as relevâncias do tempo, e ficar aqui mesmo. Às vezes nem sempre o melhor, é o que nos faz bem. Precisamos de um pouco de verdade meio a esse caos que se instaura na vida.
   Verdades? O que há de verdade em sofrer...
   Uma redundância, quem sabe. Gosto de pensar, e as vezes sonhar me causa danos irreparáveis, mas é assim que a vida segue.
   Não que eu tenha me acomodado, ou quem sabe, até já me acostumei em conviver com meus defeitos. Mas é isso mesmo, não que eu despreze as minhas qualidades. Mas o que acontece, é que sempre sou visto pelos defeitos.

Ricardo Lima

Quatro Horas e Quarenta e Cinco Minutos

Antes das cinco da manhã, os desejos enaltecem.
Antes das cinco tudo pode acontecer, o dia ainda está nascendo. Antes das cinco, antes de tudo, enquanto boa parte do mundo ainda descansa.
O meu sono já se foi, mas a vontade de viver os meus sonhos pulsa no meu peito. Antes das cinco, algumas janelas se abrem. Meus olhos atentos ardem. Meus ouvidos ainda sensíveis, não deixa escapar o tic tac do relógio na parede. Antes de tudo, pensamentos voam e pousam diante de mim.
Me refugio antes de me perder.
Não sou nada além de sonhos desacordados. O silêncio ainda teima, eu ainda teimo em seguir por esse caminho. A minha ilusão é firme, a minha sã consciência é desequilibrada, mas sei que ela ainda está lá, sei que ela ainda chora mesmo depois de chorar por toda madrugada.
Queria que ela sorrisse, queria que ela me chamasse baixinho, me chamasse sempre, mesmo que eu não ouvisse. Queria segurar no seu seio enquanto ela dorme. Tanta coisa que eu queria antes das cinco da manhã, tanta coisa que eu já nem sonho mais.
Antes das cinco da manhã, o sol ainda dorme. Eu não durmo mais. Eu não sei, eu não enxergo uma saída que não me leve a seus braços.
Antes das cinco da manhã. Antes do mundo levantar. Antes do pensamento se perder. Antes que eu esqueça quem sou. Antes mesmo do galo cantar...
Bom dia, me dê notícias suas.

Ricardo Lima
Quatro horas e Quarenta e Cinco Minutos

De Coração e Alma

  E no nosso último dia como casal, só Deus sabe como doeu no coração. Seu olhar triste, marejado, ainda se mantém na minha cabeça. Junto com as palavras "Por favor, não me deixa". Sei que te machuquei, e acredite, aquilo me machucou também. Doeu nosso último beijo ter sido um selinho sem jeito, e um abraço fraco, doeu ver suas últimas forças se esvaindo, mas o que eu poderia fazer? Doeria mais ver que você não conseguiria me acompanhar. Meu caminho eu só consigo trilhar do meu jeito, e você não andaria no mesmo ritmo.
  Me arrependo e ao mesmo tempo não, pois o arrependimento se deve à ter cortado nossa relação e hoje querer você ao meu lado mais do que tudo nessa vida. E definitivamente não me arrependo de ter dado um fim àquilo, porque hoje eu vejo que aquilo não era amor. Você não me amava como eu te amo. Você só tinha medo de ficar só, porque eu te passava segurança, e eu definitivamente não queria ser usado. Sei que magoamos um ao outro, mas nós dois sabemos que os momentos bons foram bem melhores. Como os na sua casa, quando seu priminho vinha correndo no quarto me chamando, e eu e ele passavamos o dia todo te irritando.
  Nunca vou me esquecer dos nossos momentos. Nunca vou esquecer do seu sorriso, do seu cheiro, do seu olhar, do seu corpo, e da sua personalidade única. Você reclamava que eu olhava para outras garotas, mas hoje eu sei que eu procurava nelas o que eu não poderia achar em você, e confesso, até hoje elas não puderam me oferecer nada que você não tenha.
  Eu te amo, e sei que no fundo, você também tem algo por mim. Sei também que em Setembro, especialmente dia 7, as memórias vão voltar com tudo para fazer nós dois desabarmos em lágrimas. Não sou o melhor nem o pior, mas sei que fui o que você precisava, e até hoje você é o que eu preciso. Amor eterno funciona assim: Passa anos, outras mulheres comigo, outras festas, outros sentimentos; Mas o meu amor, só você vai ter. Até mais, minha pequena, quem sabe a gente não se encontra por aí? Espero que até lá não me esqueça, porque eu, com TODA a certeza desse mundo e de outros, não vou esquecer a mulher que me fez homem, a princesa que fez de mim um príncipe, o grande amor da minha vida.

No Meu Olhar

Ainda sinto o seu perfume em mim
Ainda ouço o doce som da tua voz
No meu corpo ainda há as marcas do nosso amor
As loucuras que provocamos um ao outro
Ainda guardo aquele cobertor
Aquele azul claro que sempre usávamos
Lembra?
Ainda nem o lavei
É com ele que tenho as nossas melhores recordações
Pena que tu não pensas mais em mim
Mas é isso
É a vida
Tudo passa
E nós passamos
Perdemos o nosso valioso tempo
Porém o tempo me deixou um valioso tesouro
Deixou em mim as melhores lembranças
Fechou as feridas
E me colocou onde estou agora
E agora estou aqui
Escrevendo e recordando
Pensando em como seria se as coisas estivessem dado certo
Ao menos no meu olhar
Tudo seria perfeito

Ricardo Lima

O Riso

  Luna havia acabado de se mudar para aquela casa com sua mãe, Elizabeth. As duas tinham uma relação muito próxima; Mais que mãe e filha, eram amigas. Luna tinha apenas quatorze anos, mas era aquele tipo de garota madura demais para a idade. Seus pais haviam se separado há cerca de um ano, e ela lidava bem com isso.
  As duas levaram o dia inteiro para colocar as coisas no lugar. Não era muito, e haviam apenas colocado o mais importante, afinal, elas podiam sobreviver um dia sem o armário, mas não sem uma cama. Elizabeth mandou Luna descer no porão, para ver se havia coisas dos antigos moradores para serem jogadas fora, e a garota rápidamente foi para lá. Assim que abriu a portinha que levava ao porão, um vento gelado, diferente e inquietante a atingiu, arrepiando sua espinha, mas levou apenas alguns segundos para a garota afastar o espanto. A menina tentou acender a luz, mas estava sem lâmpada.

- Algum problema, filha? - Elizabeth disse, atrás de Luna.

  A garota deu um curto grito, assustando-se com a aparição repentina da mãe.

- Que susto! Não, não.. Está tudo bem. - Luna diz para a mãe, ainda assustada. - Mas preciso de uma lanterna, mamãe.

  A mãe de Luna sorriu.

- Certo, e perdão. Já volto com a lanterna.

  Assim que a mulher partiu, Luna voltou a observar o porão. Estava bem escuro lá, já que não havia janelas para o lugar. Luna ouve a mãe se aproximar, então se vira, observando o corredor.

- Aqui está. - diz Elizabeth. - Cuidado e não fique muito tempo lá.

  Com isso a mãe de Luna sai, deixando a garota lá. Luna observa novamente o porão pelo lado de fora, então entra, enquanto liga a lanterna.
  A primeira coisa que a garota observou foi a estante empoeirada e vazia que estava ali. Havia também outras coisas, como; caixas com coisas variadas, eletrodomésticos quebrados e até mesmo uma casinha de cachorro. Mas o que chamou a atenção de Luna foi uma boneca de pano. A primeira vista a boneca era simples, como todas as outras. Mas quando ela a pegou, se surpreendeu. A boneca era realmente como todas as outras: Olhos de botão negro, sem nariz, orelhas mal feitas, braços moles e mãos sem dedos, com um vestido sujo com algo que parecia barro, de um marrom escuro, como sangue pisado e velho. Mas o que chamou a atenção da menina foi a boca da boneca; Os detalhes eram impressionantes. Os lábios vermelhos, pareciam carnudos, com um tom frio no sorriso, dentes certinhos e brancos. Luna decidiu ficar com o brinquedo, levando-a para cima, fora do esquecimento daquele porão.
  Assim que a garota sai do porão, com a boneca na mão, ela se depara com sua mãe a encarando.

- E então? Tinha alguma coisa lá? - Elizabeth pergunta. Nas mãos um folheto de pizzaria.

  A menina da de ombros.

- Só alguns lixos. E achei isso. - Luna diz, esticando a mão com a boneca.

  Elizabeth olha para a boneca, e então a pega.

- Ela é linda. Vou lavar para você. - A mãe diz.
- Não precisa, ela não parece estar tão suja. Fora que, tem coisas mais importantes, mãe.
- Certo. Você tem razão. - Elizabeth diz, sorrindo. Ela estica a mão e devolve a boneca para a filha. - Vai para a sala. Hoje vou pedir uma pizza enquanto organizo algumas coisas no quarto.

  Luna concordou, pegou a boneca e foi para a sala.

Os sofás ainda estavam fora do lugar, mas ao menos dava para sentar. A garota sentou-se, e então começou a mecher no brinquedo. A boneca de pano tinha algo que a intrigava. Ela era muito simples para tantos detalhes. Mas decidiu que não pensaria nisso. A menina largou a boneca de lado e pegou o celular, onde ficou mechendo até sua mãe a chamar.

- Luna, vem cá. - Elizabeth gritou.

  A menina largou o celular e a boneca no sofá, e correu até o quarto.
  Assim que ela entrou, viu sua mãe sorrindo, e um pouco soada.

- Nossa cama já está montada. Já temos onde dormir. - A mãe de Luna diz, apontando para a cama de casal dela e para a cama da filha. - Está com fome, filha?
- Muita. - A menina responde, andando pelo quarto, e observando o trabalho da mãe. - Pede a pizza logo, mãe!

  A mulher pegou o celular e um panfleto de pizzaria, e então ligou. Elizabeth não precisava nem se quer perguntar o que a filha queria, pois o pedido era sempre o mesmo, atum com queijo. Cerca de meia hora depois de pedirem a pizza, o entregador chegou. As duas atacaram a pizza, Elizabeth comendo três pedaços, e Luna dois.

- Hora de dormir, Luna. Amanhã será um longo dia para nós duas. - A mãe da garota disse.

  Luna até pensou em protestar, mas estava cansada demais. Ela pegou a boneca no sofá, e foi para o quarto enquanto sua mãe apagava as luzes.
  Assim que Luna deitou, sua mãe entrou no quarto, e a cobriu com um edredom. A noite não estava tão fria, mas também não estava calor. As duas trocaram um "Boa noite" e então foram dormir.
  No meio da noite Luna acordou. A boneca de pano já não estava mais ao seu lado. Ela olhou para fora, deduzindo já ser madrugada. A menina voltou a tentar a dormir, mas antes que ela conseguisse algo chamou sua atenção. De algum canto do quarto, uma risada ecoava. Não uma risada do tipo barulhenta, escândalosa. Mas aquelas do tipo tímida, como de crianças pequenas rindo. Isso não apavorou menos Luna. A garota se cobriu por inteira, e se encolheu na cama. Esperava que sua mãe acordasse com o barulho e desse um jeito nisso, já que ela mesma não conseguia acordar sua mãe. A  risada era fria e ao mesmo tempo calorosa. Como se algo - ou alguém - risse de algo engraçado, mas por trás daquele riso havia maldade. Passaram-se algum tempo até Luna acabar sendo vencida pelo sono, e dormiu.
  Sua mãe a acordou cedo com um "Bom dia" e um beijo no rosto. A boneca estava ao lado do seu travesseiro.

- Bom dia, mãe. - A menina disse, ainda sonolenta. - Você ouviu o barulho ontem?

  Elizabeth a olhou, meio sem entender.

- Que barulho?
- As risadas! - Luna disse, surpresa. Estava com mais medo agora.
- Não ouvi nenhum barulho de risada, filha. Deve ser coisa da sua cabeça.

  A mãe de Luna se virou, e foi para o corredor, enquanto a menina a observava saindo. Ela olhou novamente para a boneca, mas logo se levantou e foi para a sala.
  O dia passou normalmente. Luna ajudou sua mãe a organizar a casa, e quando chegou a noite, as duas jantaram, e enquanto a menina assistia televisão, sua mãe tomou banho.

- Agora é sua vez, filha. - Elizabeth disse, se referindo ao banho.

  Luna concordou e então foi para o banheiro. Lá a garota se despiu e tomou o banho, enquanto cantarolava algumas músicas. Ela saiu do banheiro enrolada na toalha, e foi direto para o quarto, onde se vestiu, colocando um pijama rosa. A menina foi até a sala, pegou sua boneca e voltou para o quarto. Lá ela deitou, colocou o brinquedo ao seu lado e se cobriu, enquanto esperava sua mãe para dormirem. Elizabeth entrou no quarto, e foi até a cama de Luna.

- Boa noite, filha. - A mulher disse depois de beijar a testa da menina.
- Boa noite, mãe. - Luna respondeu, baixinho.

  Luna acordou com o mesmo barulho da noite anterior: Risadas. Ela olhou para o lado, buscando a boneca, mas não a encontrou. Ela então olhou para o chão, e também não estava la o brinquedo. As risadas estavam mais fortes e medonhas do que na noite anterior. A garota cobriu a cabeça e começou a chorar. O medo estava devastando o psicológico da menina. As risadas eram  intermináveis. A garota gritou pela mãe, que rápidamente acordou e foi até a cama da filha, preocupada. As risadas pararam no mesmo instante.

- De novo as risadas? - Elizabeth perguntou, preocupada.
- Sim. Foi  horrível, mãe. - Luna respondeu, enquanto as lágrimas caíam de seus olhos azuis intensos.

  As duas decidiram que Luna dormiria com a mãe, e a menina foi para a cama de casal. La a garota finalmente teve paz para dormir.
  De manhã, Elizabeth levantou-se e resolveu chamar a menina. A garota estava com a cara afundada no travesseiro, de um jeito que a mãe nunca a viu dormir antes. Elizabeth a chamou, mas nada de resposta. Ela sentou ao lado do corpo da menina, e tocou no braço de Luna, e então um frio na espinha a tomou. O corpo da menina estava frio. Enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas a mulher começou a chamar a filha e sacudir o corpo, mas nada. Ela decidiu então virar Luna, e quando o fez, gritou. Mas não gritou só de tristeza. Foi de medo também. O travesseiro estava ensanguentado, o rosto da garota também. E o mais impressionante é que os olhos da garota haviam sido arrancados. A mulher entrou em desespero absoluto, mas a mulher congelou quando uma risada apavorante começou a ecoar pelo quarto. Ela procurou pelo quarto, e viu quem tanto ria. Na cama de sua filha, uma boneca de pano com sorriso perfeito e olhos azuis intensos ria divertidamente.

Me Desculpe por te Amar

Quando olhei nos teus olhos e ví
Que nada iam me dizer
Logo veio uma vontade de te tocar
Mesmo o tempo falando por mim
Eu não pude me controlar
As vezes eu me entrego sem pensar

Te amar não foi complicado
Dificil foi me afastar
Eu queria ter você bem junto a mim
Tão perto que eu pudesse sentir
A tua respiração
Teu corpo em meu corpo
Tuas mãos, minhas mãos

Paguei o preço por ser sincero
Não quero mais me enganar
A verdade estava ao lado
Eu não pude enxergar
Pode ser fácil quando não estar
Por dentro da situação
As vezes não consigo te dizer não...

Me desculpe por te amar
Me desculpe por te amar
Veja nos meus olhos o meu desejo
Mas não me culpe por te amar

Paguei o preço por ser sincero
Não quero mais me enganar
A verdade estava ao lado
Eu não pude enxergar
Pode ser fácil quando não estar
Por dentro da situação
As vezes é preciso te dizer não...

Ricardo Lima
Poesia & Canção

Resolvendo Meus Problemas

Hoje, já não tenho mais estrelas. E o meu céu, já não é mais tão claro. Escureceu de vez.
As noites, agora estão bem mais escuras, e antes que o meu olhar se decline, tentarei ser mais ou menos otimista, assim como antes. Algumas estrelas ainda tentam brilhar, mas a escuridão já é bem mais aparente em mim, que em qualquer outro lugar.
Sei que assim estou sendo rigoroso demais comigo mesmo. Não gosto muito, mas não tenho os mesmos créditos de antes. Não vejo brilhos. Não tenho visões e nem sonhos absurdos, apenas um longo caminho a percorrer todos os dias.
Caminhos que eu não sei aonde vão dar, ou mesmo se eu irei chegar ao fim. Se talvez eu não consiga chegar, essa não será a primeira vez. Porém, há diferenças entre o meu céu de hoje e o meu céu de antigamente. Hoje, por exemplo, estou abrindo exceções. Abrindo oportunidades para novas estrelas brilharem. Pena que a minha visão já não é a mesma. Pena que não enxergo com o mesmo otimismo de antes. E além do "MAS", do"SE" ou do meu "S" que já está sem o seu plural há tempos. Eu ainda penso nas minhas estrelas, nas possibilidades que elas me deixaram, e que eu não soube aproveitar.
Não me arrependo, apenas sinto que algo me falta.
Ontem, tracei novos objetivos dentro da minha míope capacidade de repetir erros. Por outro lado, sinto a necessidade de errar e de me apaixonar todos os dias pela mesma pessoa errada.
Às vezes o tempo me engana.
Às vezes a vontade me atrapalha, mas nada que um vinho e uma boa trepada não resolva.

Ricardo Lima

"Trabalhamos mais que vivemos, e por isso que somos meio assim...
Um Vegetal. "

Ainda Sonho com Você

Uma vez eu sonhei com você. 
Foi tudo perfeito.
Tudo era bonito, calmo e intenso. Sei que eu fui culpado por parte dessa ilusão. Fui eu que me deixei levar, e acabei me perdendo e não pude mais voltar. E agora fico aqui, revivendo um amor que tampouco seguer existiu.
Seria demais dizer que ainda sonho com você?
Mas é isso, ainda sonho e muito.
E nesses sonhos, o tempo não existe, o tempo somos só nós dois o tempo todo e nada mais.
Que sorte seria a minha em tê-la nos meus braços. Poder saborear teu gosto e me perder por entre os caminhos tortuosos  que há em teu corpo, tão forte, tão franzino e ardente.
O que há em ti que tanto me faz sonhar...
Me faz sonhar?
Ah, sim.
Ainda sonho com você.

Ricardo Lima
Carta Anônima

Meu Próprio Reflexo

  Sempre me escondi atrás de uma máscara de um caráter que não é meu, e com isso acabei por me desviar várias e várias vezes do caminho que eu trilhava. Agi direito? Sim! E tomei no cu. A bomba foi acionada. Bum! Explodi! Foda-se todos! Só tenho essa vida para viver, não deixo mais que digam o que devo ou o que não devo fazer. Sabe o meu coração? Está lacrado, protegido, e muito bem sem sentimentos dentro.
  Está na hora de tocar o terror, e as consequências eu mando por na "conta". Ninguém mais pode me parar, ninguém mais pode me salvar, minha próxima parada é o Inferno? Então que Lúcifer esteja preparado para uma grande bagunça.

Conto sem Fadas

  Era uma vez uma princesa de um reino muito, muito distante. Ela era um pouco distante das outras pessoas, e apesar de linda, era ríspida. Todos a viam como uma pessoa ruim, por seu jeito indiferente, até que então um garoto a mudou completamente. Eles se conheceram. Não era um príncipe, era apenas um jovem do vilarejo próximo. Eles ficaram amigos, e confidentes. Ambos sabiam de tudo um do outro. Ele a protegia do mundo, e ela o trazia a segurança interior que ele nunca sentiu. Ambos foram se aproximando até se apaixonarem, e começaram um românce, quando, em uma noite, o menino a pediu em namoro. A garota aceitou, e no mesmo segundo lágrimas escorreram dos olhos dos dois. O namoro deles era bem instável. Eles brigavam, mas se amavam. Eles choravam, mas se protegiam. Mas o tempo passou e eles se distânciaram. Uma barreira mágica foi criada entre os dois. Como quebrariam? Sem respostas, os dois seguiram seus caminhos, sem o outro ao lado. O garoto sonha com a princesa dele todas as noites desde então. E ele nunca se importou com nada que pudesse ter ao ficar com ela; Ele só a queria. Queria com amor, com desejo e paixão. Mas ela nunca voltou. Sabe por que? Porque as pessoas seguem em frente sem você. Moral da história? Contos de fadas não existem. "Felizes para sempre" também não.

Comunicado ao Amor

  Hey, você. Sim, você mesmo! Quem mais está lendo isso, afinal? Quero apenas conversar com você.
  Quantas vezes se machucou por alguém que tinha um significado enorme para você? Quantas vezes chorou? Quantas noites perdeu fazendo planos que nunca se realizaram? Lembrando de tudo isso, me diga: Quantas vezes pensou em desistir de encontrar um amor verdadeiro?
  Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra. Quem nunca soube o que foi perder o seu chão, sua vontade de abrir os olhos e levantar da cama, quem nunca perdeu a fé em sí mesmo se quer por um segundo, por favor me procure e conte o segredo. Eu sou do tipo que escolhe viver por um propósito. Eu perdi o meu, e como disse, perdi meu chão. Talvez ela fosse demais para mim ou o contrário. Talvez ela tenha encontrado alguém melhor, ou percebido que eu não era o que ela precisava. Quem sabe até ela pode ter mentido sobre tudo nos nossos anos de namoro, afinal, você sabe: De Jeremias e Maria Lúcia, esse mundo está cheio. Peço um favor a você que encontrou quem esperava, depois de todas as peças que o destino pregou, depois de todas as vezes que pensou em desistir, que dúvidou se estava certo o que estava fazendo; Não a deixe escapar. Faça isso por todos os homens decepcionados, todas as mulheres que se frustraram, por cada idoso que viu seu parceiro morrer e nada pôde fazer para impedir. Não viva pela pessoa, mas tenha em mente que viver com ela ao seu lado torna tudo melhor. Está esperando o que? Vai lá, leva flores. Não importa se você é homem ou mulher! Estamos no século 21. Você pode muito bem usar saia e pedir seu parceiro em casamento. Ou lavar a louça enquanto sua mulher descansa. Mande uma mensagem dizendo o quanto ela é importante para você! Ou se não, o quanto ele é bom por aguentar a sua TPM! Não deixa essa pessoa fugir. Por mais que tudo pareça impossível de suportar. Por mais que ela erre. Desistir da sua alma gêmea é desistir de sí mesmo. Pode tudo parecer mais fácil, mas não é. Sozinho você pode até caminhar mais rápido, mas juntos, vocês vão muito mais longe.

Diário de um vegetal

   De alguma forma, os meus pensamentos rebateram o que eu sentia, e por alguns minutos eu pude assistir o meu próprio desespero. Foi estranho, principalmente para quem não via algo assim desde que era um brotinho pequenino e sem graça. Engraçado, contar história pode ser muito hilário, mas não sei sorrir assim, feito um bobo.
   Já passei muito tempo sendo apenas uma mentira para mim mesmo. Pensei até, que eu não fosse capaz de dizer eu te amo para alguém, sem me sentir um completo idiota. Às vezes, fechar os olhos e tentar dormir é bem menos doloroso que tentar driblar o coração. Já sangrei bem menos no passado, e hoje aprendi a disfarçar até mesmo os sorrisos sinceros. Querer, desejar e amar, são verbos transitivos que jamais consegui conjugar nem em tempo, número ou pessoa.
   Entre todas as batalhas que possamos travar na vida, aquela que temos que lutar contra si próprio é a mais difícil. É meio que unir coração e razão, que assim como água e óleo, eles nunca se misturam. Já cansei, estou totalmente indiferente ao que me diz respeito. Até que o vento me conforta um pouco, e nos dias de hoje, nenhuma estrela quer fazer parte de uma constelação.
   O meu egoísmo, já me superou. O que eu tinha de humildade, aos poucos vai se evaporando e esvaindo-se na atmosfera. No passado eu sangrei, no presente ainda choro. E no futuro, quem há de defender o defensor? Porque eu, além de plantado, ando atolado na merda "esterco."

Ricardo Lima