Antes das cinco da manhã, os desejos enaltecem.
Antes das cinco tudo pode acontecer, o dia ainda está nascendo. Antes das cinco, antes de tudo, enquanto boa parte do mundo ainda descansa.
O meu sono já se foi, mas a vontade de viver os meus sonhos pulsa no meu peito. Antes das cinco, algumas janelas se abrem. Meus olhos atentos ardem. Meus ouvidos ainda sensíveis, não deixa escapar o tic tac do relógio na parede. Antes de tudo, pensamentos voam e pousam diante de mim.
Me refugio antes de me perder.
Não sou nada além de sonhos desacordados. O silêncio ainda teima, eu ainda teimo em seguir por esse caminho. A minha ilusão é firme, a minha sã consciência é desequilibrada, mas sei que ela ainda está lá, sei que ela ainda chora mesmo depois de chorar por toda madrugada.
Queria que ela sorrisse, queria que ela me chamasse baixinho, me chamasse sempre, mesmo que eu não ouvisse. Queria segurar no seu seio enquanto ela dorme. Tanta coisa que eu queria antes das cinco da manhã, tanta coisa que eu já nem sonho mais.
Antes das cinco da manhã, o sol ainda dorme. Eu não durmo mais. Eu não sei, eu não enxergo uma saída que não me leve a seus braços.
Antes das cinco da manhã. Antes do mundo levantar. Antes do pensamento se perder. Antes que eu esqueça quem sou. Antes mesmo do galo cantar...
Bom dia, me dê notícias suas.
Ricardo Lima
Quatro horas e Quarenta e Cinco Minutos
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