Incertezas

   Mais um dia se passa. E assim como as águas descem rio abaixo, eu sigo a minha vida perseguindo coisas impossíveis. Sei que nada se repete, e nem a mesma água passa por duas vezes em baixo da mesma ponte.
   Bem, quanto a isso todo mundo sabe, não falei nada de extraordinário, mas gosto de me sentir inteligente. E ser inteligente para alguém como eu, é bem melhor que me sentir um completo idiota. Eu sei que posso ser o que eu quiser sem suicidar o que eu sou de verdade. Sei o que posso fazer, mas nunca entendo o que os outros fazem, principalmente por amor.
   Me assusta o que as pessoas são capazes de fazer por dinheiro. Acho que não vale a pena matar e morrer por ele, os ganhos matérias são muito supérfluos diante do que se pode ganhar intelectualmente, e isso não nos podem roubar. A satisfação por bens materiais podem ser válidas, mas não se vale perder o que temos de mais valioso, a troco daquilo que podemos adquirir ou construir posteriormente.
   Qualquer um podem nos roubar um dinheiro ou um bem material. Mas o único capaz de subtrair de si próprio o que se é, somos nós mesmo. Dentre todas as perdas que podemos sofrer, sem questionamento algum, a vida vem a ser a mais valiosa. A diferença é que não somente a gente somos capazes de nos tirar a própria vida.
   Pois bem, quanto mais eu for eu mesmo, mais feliz serei. Sei que no amor tenho minhas falhas, mas me aquieto diante das minhas imperfeições. E se eu sou assim, capaz de aceitar essas minhas condições de ser humano. Então sei que assim serei feliz, mesmo com as tristezas que me assombram feito fantasmas. Não me roubarei de mim, nem que me paguem milhões. Sou um certo Vegetal, sou incerto na minha maneira de pensar. Ainda que eu fale apenas por falar, a minha paixão sempre vai ser por incertos. Pois é na incerteza, onde mora o meu segredo.
   Minha paixão se resumi naquilo que eu não entendo. Na verdade não entendo mesmo, principalmente quando vejo aquela menina, aquela de olhos grandes e pele macia branca feito porcelana. Pena que ela vem a ser a minha incerteza mais aparente, e se há alguém que pode fazer algo, essa pessoa simplesmente não sou eu.
   Essa pode ser a incerteza que mais me dói nos dias de hoje. E com certeza, as dores foram feitas para serem sentidas...
Fato.

Ricardo Lima
Diário de um Vegetal

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