Vou ter que sumir por um tempo, até que talvez eu faça falta pra alguém. Aprendi a não suplicar a atenção de ninguém, e acho que por isso me submeterei a esse exercício. Sei que o tempo não é lá uma das melhores amizades que eu tenho, mas fazer o quê...
Apenas quero imergir da lama em que me encontro, só isso. Sinto que a verdade sempre esteve bem do meu lado, e eu que nunca não quis enxergar. Realmente eu não sei o que dizer. Ando em círculos as vezes, e se há algo de bom nisso, acho que seja a facilidade de sempre retornar ao mesmo lugar, e sem riscos de se perder por aí.
Em algum tempo retornarei. Não posso deixar as minhas palavras morrerem assim, mesmo que pra isso, eu derrame bem mais lágrimas que o previsto. Sim, Eu sou um poeta que chora. Dizem que homem não chora, mas que homem eu seria, se eu acaso não chorasse?
Pois bem, terei que sumir por um tempo. Recarregar as baterias e descansar a cabeça. Ficar tranqüilo diante de mim mesmo, e assim ser possível me ver em outros olhos. Acho que antes eu estava sendo tão egoísta, que não queria enxergar a realidade como uma saída simples e eficaz. Querer me enxergar em olhos que não me pertencem foi o cúmulo, o auge do meu egoísmo.
Tentei fazer com que o mundo girasse em torno de fantasias, e me perdi numa das ilusões que eu mesmo criei. É chato, mesmo pra um poeta como eu. Tão ilusório, displicente e às vezes egoísta e monocentrado em olhares e sorrisos que nunca me pertenceram.
Ricardo Lima
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