Sabe, ainda levo o mesmo olhar. No rosto tenho ainda algumas marcas, tudo que o tempo não apagou. Sabe, algumas porteiras teimam em ficar abertas, algumas lágrimas leva tempo pra secar. Sabe, eu acho que você nunca soube... Não sei porque, mas sempre pensei assim.
Sabe, o seu tempo nunca foi o meu também, o teu mundo era estranho demais pra que eu entendesse algumas chuvas. Agora, após alguns ventos, eu vejo o quanto eu fui desonesto com partes do meu coração. Sei disso, mas não me arrependo, o meu mundo é muito mais simples que eu imaginava, e as vezes me perguntava se você era capaz de adaptar-se a ele e a mim.
Sabe, as vezes a minha mente flutua muito, mas a lucidez ainda reina em alguns pequenos momentos do meu dia. Sei que você não entenderia. Aliás, nem mesmo eu entendo alguns dos meus passos. Sabia que o tempo não dita as coisas... Eu sei, o meu passado não é tão presente assim. Sabe, as vezes procuro o teu olhar, e o vejo em vários rostos. Já acostumei com isso e nem sempre me assusto, mas a saudade que eu sinto, corta bem mais que estilete afiado. Sabe, as lâminas são cortantes, mas não mais que as suas palavras que saíram da sua boca e logo me apedrejou e me deixou com várias marcas espalhadas por toda a minh'alma.
Sabe, se eu soubesse eu não teria escrito essas palavras. Não que você não as mereça, mas quando ainda não se sabe, a dúvida é uma ótima companhia para os corações solitários.
Ricardo Lima
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