A Floresta

  Decidi ir fazer trilha com dois amigos, John e Thales essa noite. Na realidade o que me chamou atenção foi o nome diferente do lugar. 
Algumas horas de caminhada, a lua brilhando cheia no céu, iluminando até o canto mais escuro da floresta. Ouço um uivo diferente: Forte, mais feroz do que o normal. Aquilo me arrepia, mas não deixo transparecer, afinal, o que pensariam de mim?
Mais alguns minutos andando e me sinto esquisito. Sinto como se estivesse sendo observado, e mais uma vez oculto isso. Algumas brincadeiras com meus amigos, e nos calamos rápidamente com o barulho de alguns galhos se quebrando. John, o mais velho de nós, se aproxima das arvores que estão na direção de onde veio o barulho.

- Q-quem está aí? O-olha, estamos armados. Não se aproximem! - Ele mente, com medo nítido em sua voz.
Mais um uivo, e então aconteceu.
Tão rápido quanto o grito que eu e Thales demos ao ver a criatura. Aquela coisa tinha cerca de dois metros de altura, pêlos cinza por todo corpo, olhos escuros, vazios. A primeira vista parecia um lobo exageradamente grande, mas quando ele se posicionou apenas em duas patas, nas traseiras, descobri que tinha selado o meu destino e o dos meus amigos.
- É um lobisomem! Sai daí, John! - gritei, saindo um pouco da paralisia que o medo causou.
John gritou e tentou correr, mas não foi rápido o suficiente. A criatura o agarrou pelas pernas e bateu com seu corpo no chão, o desmaiando. Não esperei para ver o que aconteceria com nosso amigo. Puxei Thales pelo braço, ele ainda aterrorizado com tudo aquilo.
  Mais alguns instantes correndo e então ouço aquele uivo de novo. A criatura estava vindo atrás de nós. Olho para trás na esperança de ver o monstro bem longe, mas essa esperança é cortada, vendo a criatura correndo velozmente em quatro patas na nossa direção.

- Mais rápido, se não não vamos conseguir! - diz Thales, como se eu não tivesse percebido.
  Lágrimas começam a escorrer dos meus olhos. O desespero e o medo no limite, de forma tão forte que eu podia me enxergar sendo ceifado pela Morte. Ouço um grito de terror atrás de mim. Imediamente deduzo o que aconteceu, mas continuo a correr. 
  Foram apenas mais alguns momentos correndo, até chegar nos limites da floresta. Invado a pista e paro o primeiro carro que vejo, me jogando na frente, o forçando freiar, e grito para que o motorista chame a policia. De longe ouço um uivo de lamento por ter perdido uma das vítimas, um uivo que eu tinha certeza que faria eu ter pesadelos por muitas e muitas noites, em toda a minha vida. Um uivo profundo, que vinha de dentro da Floresta do Lobisomem.

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