Um Dia de Chuva


   Dois anos se passaram e pouca coisa mudou, ao menos Thays voltou a trabalhar. Agora, espero que seja apenas uma questão de tempo para que tudo volte ao normal. Saio do trabalho, e antes de pega-la resolvo passar numa lanchonete e tomar um suco ou mesmo um café. Até que eu poderia pega-la e sairmos juntos, mas... tem dessas coisas que resolvemos meio assim, sem pensar muito. Paro o carro e estaciono bem próximo a porta, desço e sigo em direção a lanchonete. Entro, me sento e peço um café, aproveitando que fazia um pouco de frio. A garçonete me traz o café e me pergunta se eu desejo mais alguma coisa, digo que não é agradeço pela gentileza e ela apenas responde com uma piscadela de olho.
   Enquanto tomo o café, penso em toda minha história com Thays. Antes éramos bem mais alegres e viajávamos bastante, planos de filhos e animais de estimação. Enfim, éramos felizes, não que agora não sejamos, mas essas adversidades estava me consumindo bastante. Não mais a mim, mas quanto Thays, essa sim estava bem mais debilitada que eu. A minha fé era enorme, e eu acreditava mesmo no fim de disso tudo. As vezes questionava o finais felizes das histórias infantis, mas nesse momento, era apenas isso que eu procurava.
Então, pego Thays no trabalho e sigo na direção de casa.


_ Olha ali. Diz Thays apontando o dedo em direção a uma loja que vende plantas. Pergunto se ela quer descer e ir até lá, ela diz que sim com um gesto bastante sutil e delicado. Então descemos, e lá eu comprei um jarro com Hortênsia azuis e outro com rosas.
   O olhar dela me disse tudo e com um beijo, ela então me agradeceu e assim eu tive a certeza que tudo estava voltando ao normal.


   Era uma manhã de fevereiro, se não me engano,  acho que era um dia de domingo. Eu tive que sair para resolver alguns problemas no trabalho. Quando saí, Thays tinha ficado no sofá sentada e lendo um livro. Ela gostava muito de Paulo Coelho e William Blake, eu não me ligava muito nesse negócio de livros, mas ela passava muito tempo lendo. No caminho, pensei muito em voltar e ficar em casa, mas eu não podia faltar nessa reunião. No decorrer da reunião, eu olhava o relógio constantemente, e não via a hora de sair dali e voltar pra casa.

   Quando todos os assuntos foram abordados e acertados, não contei conversa, me levantei, pedi licença e saí correndo da sala. No caminho de volta tentei ligar, mas ela não atendia, e isso apenas fazia a minha tensão aumentar cada vez mais. Finalmente chego, paro o carro e atravesso o jardim a passos apressados, abro a porta bem devagar. Dentro de casa é tudo silêncio, nenhum barulho além do vento e dos pássaros que cantam nos arredores. Na cozinha vejo uns potes de biscoito no chão e alguns talheres espalhados. Sigo até a sala, atravesso bem devagar, subo as escadas e o silêncio é perturbador. Entro no banheiro e nada, nenhum sinal que ela esteve ali. Sigo até o quarto, me aproximo da porta e giro a maçaneta bem devagar. Lá estava ela, deitada e dormindo, parecia um anjo. Me aproximei, beijei a sua testa e ela abriu os olhos e sorriu.


_ Oi amor, disse Thays. Deite-se aqui do meu lado e vamos aproveitar o resto do fim de semana!

Ricardo Lima

ricardo.lima46@gmail.com
Imgem: Google Imagens

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